Textos do Hugo

Da valsa para uma menininha

Não sei que costume é esse o meu de iniciar crônicas com letras de músicas… Talvez seja porque música toca fundo na alma… Música é poema cantado… Sendo poema, está diretamente vinculada à arte do verso e da escrita…Música, poesia, contos, crônicas, sentimentos… Todos algemados de forma irrevogável.
Penso que irrevogável também deveria ser o estado infantil.
A ingenuidade, as brincadeiras, o fácil perdão, o choro sincero seguido de uma gargalhada despojada. A simplicidade da vida…
Eu apelo para a infância, assim como o verso que diz: “Menininha, não cresça mais não… Fique pequenininha na minha canção…”
Crianças brincam, adultos brigam
Crianças desculpam, adultos magoam
Crianças choram, adultos se vingam
O apelo dos versos se intensifica então quando clama: “Fique assim, meu amor! Sem crescer, porque o mundo é ruim, e você vai sofrer… De repente… Uma desilusão!”
Ah os adultos! Cansativos, desgastantes… Degradantes… Cheios de vontades e mimos… Chatos!
Outro dia inventei um personagem que se dizia sociofóbico. Cogitei a possibilidade de não escrevê-lo, pois me parecia tão intragável, mas tão intragável, que até mesmo eu não teria estômago para acompanhar sua história. No entanto, no auge das reflexões mais absurdas desse umbroso solitário, encontrei uma faísca de razão. Diz ele que prefere o isolamento a se submeter à deplorável convivência com adultos… Define os adultos como vítimas de um “desamor próprio” tão grande que vivem à base de rancores desonrosos. Finaliza, dizendo que se sente cercado de primatas.
Arrogante? Não sei, mas o raciocínio está carregado de verdade.
Meu mais profundo lamento é o de que todas as crianças um dia, inevitavelmente, serão adultos… E fatalmente insuportáveis.
Quem dera se a população mundial fosse constituída apenas de crianças tipo “Terra do Nunca”

Por Hugo Ribas

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Hugo Ribas é pisciano, escritor, leitor e também uma metamorfose ambulante. Criador deste blog e colunista do blog Que Me Transborde, adora se perder em sentimentos escritos e nem sempre consegue se encontrar em suas próprias palavras. Personagens, narrador e pensamentos se fundem num texto só. Nasceu em Jundiaí - SP e mudou-se para São Paulo - SP aos 16 anos, onde se formou em Design Gráfico e cursou teatro pelo Teatro Escola Macunaima. Apresentou peças de Gianfrancesco Guarnieri e Friedrich Dürrenmatt.

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