Textos do Hugo

O diferentinho

Só eu que tenho opiniões corretas? Não, eu já disse que não é só você.

Dentre as 7 bilhões de almas perambulantes pelo mundo, sinto lhe informar, as suas opiniões não serão as únicas corretas nem diferentes… Isso é fato! E aliás eu lhe pergunto, meu caro: Por que essa necessidade visceral de estar certo? Em que consiste dividir a humanidade entre pessoas certas e erradas?

Seria talvez o complexo do errado…

Estamos tão complexados e apavorados com a ideia de sermos apontados como pessoas cujas opiniões são equivocadas e irrelevantes, que chegamos ao ponto de lutar até a morte para provar por A+B que temos razão!

A verdade irrevogável de que a sua existência não passa de um miserável pontinho inexpressivo entre 7 milhões de pontinhos causa-te pânico. E esse pânico te transforma numa gralha feroz, pronta para gritar e dilacerar qualquer outra que seja diferente de você… Afinal de contas, você tem que comprovar que está certo e deve exterminar quem diga o contrário, o mais rápido possível. E entre tantos dedos apontados uns para os outros, faz-se necessária a defesa. Inevitável, pois as gralhas todas estão prontas para alardear aos quatro ventos as suas falhas, seus lodos, seus porões… Nada tão desumano.

Somos humanos, não somos gralhas.

Diante das incontáveis diferenças e semelhanças, cabe a nós, diferentes que somos, aceitarmos… Simplesmente aceitarmos a diferença alheia e a diferença que vive em nós. Encaixarmos uns nos outros.

E então eu te pergunto, meu caro colega, você teria coragem de abrir mão de ser apenas um pontinho luminoso entre 7 bilhões de pontinhos, para unir-se aos outros e juntos transformarem-se num único foco de luz… Muito maior e muito mais relevante?

Difícil. Muito difícil porque antes disso terá de superar o complexo do errado. E superado o tal complexo, será devorado pelas gralhas que jamais conhecerão a glória da luz.

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Hugo Ribas é pisciano, escritor, leitor e também uma metamorfose ambulante. Criador deste blog e colunista do blog Que Me Transborde, adora se perder em sentimentos escritos e nem sempre consegue se encontrar em suas próprias palavras. Personagens, narrador e pensamentos se fundem num texto só. Nasceu em Jundiaí - SP e mudou-se para São Paulo - SP aos 16 anos, onde se formou em Design Gráfico e cursou teatro pelo Teatro Escola Macunaima. Apresentou peças de Gianfrancesco Guarnieri e Friedrich Dürrenmatt.

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