Textos do Hugo

Eu achei que…

Eu achei que o jogo estava perdido quando naquela noite quente à beira do mar eu tentei olhar-te nos olhos e você se afastou. Sei que sou desajeitado nas palavras… E isso até me dá raiva, porque eu só queria que você soubesse… Enfim, nunca vou me esquecer daquele momento, porque a solidão que senti esmagou-me o peito. Lembro-me de você partindo, afastando-se cada vez mais, esvaindo-se na sombra da noite e me deixando ali sozinho, engasgado com as milhões de palavras que eu precisava dizer. Eu fui um fraco. Devia ter arriscado. Sou um sonhador, você sabe. Perdi noites e noites planejando cada detalhe do nosso encontro, escrevi e reescrevi frases de amor e as mais secretas confissões de um cara apaixonado.

E de repente, nada aconteceu.

Você foi embora antes mesmo que eu pudesse te olhar de verdade. Você nem sequer permitiu que eu me aproximasse. Você simplesmente não me deu chances. Sei, eu sei que você tem um coração machucado e cansado de tanto acreditar em belas frases que ocultam as intenções mais torpes. E eu sei disso porque posso enxergar no seu triste sorriso a dor de uma ferida que não cicatriza. Eu vi tudo isso e mesmo assim não fui capaz de te encantar, nem de te fazer acreditar… Você simplesmente foi embora.

E eu fiquei ali, entregue ao som das ondas que avançavam e destroçavam meu sonho.

Achei que já não tinha mais jeito, que não havia nada a ser feito a não ser deixar o tempo se arrastar, levando consigo a decepção de um sonho desfeito. Pensei mil coisas. Pensei que eu não era digno de você. Imaginei que você, certamente, amasse um outro alguém. Sinceramente?! Achei uma idiotice sem tamanho o fato de você se fechar ao ponto de não perceber o tamanho do meu amor…

Enfim eu achei mil coisas. Tratei de tocar a minha vida adiante. Achei até que tinha te esquecido. E todo esse “achar” atravessou as mais longas horas daquela noite, como se viajasse no tempo e cruzasse os limites dos séculos… Então o sol nasceu. O telefone tocou, era você.

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Hugo Ribas é pisciano, escritor, leitor e também uma metamorfose ambulante. Criador deste blog e colunista do blog Que Me Transborde, adora se perder em sentimentos escritos e nem sempre consegue se encontrar em suas próprias palavras. Personagens, narrador e pensamentos se fundem num texto só. Nasceu em Jundiaí - SP e mudou-se para São Paulo - SP aos 16 anos, onde se formou em Design Gráfico e cursou teatro pelo Teatro Escola Macunaima. Apresentou peças de Gianfrancesco Guarnieri e Friedrich Dürrenmatt.

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