Revele-se para mim

Revele-se para mim: Você já encontrou a felicidade?

“Revele-se para mim” são textos escritos por Lucca, um personagem/narrador que escreve e reflete sobre histórias e pensamentos que ouviu de pessoas que ele nem conhece… 

Todo mundo quer ser feliz, quem não quer?! Prometo a vocês que não vou escrever qualquer textinho batido a respeito das mil maneiras de se encontrar a felicidade, primeiro porque até hoje ninguém conseguiu encontrá-la e segundo porque, pra ser bem sincero, a internet e os livros já estão cheios de receitas. Tem pra todo mundo. Resolvi escrever um pouco sobre isso, pois percebi que ando reclamando de barriga cheia… Será que você também não está?!

Vira e mexe eu me pego preocupadíssimo com probleminhas de ordem sentimental, paixonites que não vão pra frente, emprego chato, desentendimentos dentro de casa… Enfim, esses problemas que estão presentes na vida de todos nós. E geralmente quando o problema vem, a gente esperneia e se faz a pergunta: “Por que isso tinha que acontecer logo comigo?!”. Quando na verdade o correto seria perguntar: “Por que isso NÃO aconteceria comigo?!”. A gente reclama demais… Eu reclamo demais, assumo.

Ouvi a história de uma mulher que não me disse seu nome nem sua idade. Devia ter mais ou menos seus trinta e cinco anos, por aí… Ela tinha um sorriso largo e contagiante. Pareceu-me uma pessoa indiscutivelmente feliz. Era impossível não sorrir diante de sua presença. Quando ela se sentou no banquinho, de frente para mim, tive certeza absoluta de que finalmente escutaria uma história de pura alegria. Disse-me apenas:

-Fui mãe aos dezenove anos. Minha filha Iza nasceu com mielomeningocele. Desde então minha vida mudou. São quinze anos de muita luta… Olha, não é fácil enfrentar o preconceito. Eu finjo não perceber, mas reparo muito bem nos olhares das pessoas quando estamos em qualquer lugar… Ninguém está preparado pra lidar com algo tão óbvio: O diferente. Ver a minha filha numa cadeira de rodas é o que mas me dói na vida. Mas vivo um dia de cada vez. Sempre com Deus ao nosso lado. Não é fácil, não é fácil, mas eu te digo uma coisa: Eu amo ser mãe da Iza… Eu agradeço à vida todos os dias por ter me concedido o privilégio de ser mãe dela… Eu posso afirmar com a mais absoluta certeza que eu sei o que é o amor. Muitas pessoas vivem uma vida inteira procurando por ele. Eu o encontrei. -sorriu mais uma vez e saiu.

Claro, assim que cheguei em casa fui pesquisar na internet para saber o que era essa tal mielomeningocele. Olha, é grave.

Entenderam o que eu quis dizer quando falei de reclamar de barriga cheia?! É claro que não estou aqui para diminuir o sofrimento de ninguém… Cada um de nós sabe muito bem os efeitos que certas dores causam em nossas almas. E são tantas. Mas vale a pena olhar para o lado, observar a forma com que as pessoas lutam, enxergam e superam suas dores e seus desafios. Aprender com elas. Aquela mulher era feliz. Ela não desejava ser mãe de mais ninguém a não ser daquela filha com um problema grave de saúde… A vida delas, com toda certeza, era difícil pra caramba… E ainda assim ela sorria e sabia enxergar que apesar de todo o peso da realidade em que se via obrigada a viver, existia um motivo para sorrir…

Acho que é hora da gente começar a fazer isso também.

Se você quiser que a sua história seja contada por Lucca, clique aqui.

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Hugo Ribas é pisciano, escritor, leitor e também uma metamorfose ambulante. Criador deste blog e colunista do blog Que Me Transborde, adora se perder em sentimentos escritos e nem sempre consegue se encontrar em suas próprias palavras. Personagens, narrador e pensamentos se fundem num texto só. Nasceu em Jundiaí - SP e mudou-se para São Paulo - SP aos 16 anos, onde se formou em Design Gráfico e cursou teatro pelo Teatro Escola Macunaima. Apresentou peças de Gianfrancesco Guarnieri e Friedrich Dürrenmatt.

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