Revele-se para mim

Revele-se para mim: Quando bate a saudade

Hoje foi um daqueles dias zicados! Meu celular quebrou, o cartão não passou, meu pai perdeu a chave do carro dele, minha amiga Lia brigou comigo, choveu… A chapa está quente para o meu lado! Mas não é exatamente sobre isso que quero falar… Estou aqui pra falar de saudade, mas antes permita-me que eu me apresente: Sou só um carinha normal, de vinte e três anos, chamado Lucca, e resolvi ficar sentado num banquinho numa calçada qualquer, com uma plaquinha pendurada no pescoço, escrito o seguinte: “REVELE-SE PARA MIM.” E logo embaixo, numa letra menor, a frase: “Escuto histórias, belas, tristes… Ou simplesmente o que você quiser contar.” A princípio achei que ninguém me contaria nada, mas descobri que as pessoas precisam desabafar, elas só precisam de alguém que as escute.

Enfim, vamos ao que interessa: Eu estava chateado, o dia não tinha sido fácil. Lia é uma pessoa muito importante pra mim e confesso que às vezes me confundo com os sentimentos, não sei se é amizade ou paixão. Sei apenas que não vivo sem ela… Lia não quer falar comigo, está brava, fica me evitando e eu tenho sentido sua falta. É uma saudade grande que não cabe em mim. Não consigo pensar em nada a não ser em tudo o que a gente já viveu juntos. Fico pensando em tudo o que poderíamos viver se não tivesse rolado esse desentendimento. Fiquei refletindo sobre tantas coisas que eu gostaria de dizer à ela… Sabe aqueles sentimentos urgentes que a gente precisa revelar de uma vez por todas antes que seja tarde? Pois é, estou nesse dilema. E coincidência ou não, hoje ouvi a história emocionante de uma moça muito simpática. Ela não se identificou. Simplesmente sentou-se diante de mim, no meio da rua e disse as seguintes palavras:

-Minha história se resume em palavras que eu sempre quis dizer, mas estava machucada demais pra isso. Perdi meu pai aos 15 anos… Não foi nada fácil lidar com os sentimentos, pois meu coração se dividia entre amor e ódio. Eu odiava o fato de ele sempre ter agredido a minha mãe e beber tanto ao ponto de separar nossa família. Mas eu também o amava ao ponto de fingir que estava dormindo só pra ele me pegar no colo e levar pra cama… Ele nunca soube, mas as batidas do coração dele eram a minha canção preferida. A verdade é que mesmo naquela mistura de gritos e pontapés em casa, ele ainda era meu herói preferido, ( Meu Malvado Favorito). Eu o amo e queria pedir perdão por não ter dito isso mais vezes. Queria que a minha canção preferida nunca tivesse acabado, mas em um dia de sol, aquela escuridão tomou conta da festa que havia dentro dele e a música simplesmente parou, era seu fim. Na verdade era nosso fim. Eu sempre te amarei… J. B ♡

Levantou-se e foi embora, emocionada…

Certa vez eu li um texto que dizia: “Ame, antes que seja tarde.” Esse título nunca fez tanto sentido para mim como quando ouvi essa história. As grandes oportunidades da vida às vezes passam despercebidas, nos mínimos detalhes. Para não perdê-las é preciso sensibilidade, é preciso atenção, é preciso enxergar com os olhos da alma. Não perca a oportunidade de amar. Não perca a oportunidade de perdoar! São chances de ouro!

Para a doce menina que me fez esta revelação, eu gostaria de dizer que a vida continua. A vida nunca cessa. Alguém, num lugar desconhecido e invisível para nós, certamente escutou esse pedido sincero de perdão. Esse alguém recebe, todos os dias, o amor verdadeiro que ela sente. Nada é tão definitivo assim. Muitos reencontros ainda podem acontecer… É só ter fé.

E agora eu vou é telefonar para a Lia, antes que seja tarde…

Se você quiser que a sua história seja contada por Lucca, clique aqui.

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Hugo Ribas é pisciano, escritor, leitor e também uma metamorfose ambulante. Criador deste blog e colunista do blog Que Me Transborde, adora se perder em sentimentos escritos e nem sempre consegue se encontrar em suas próprias palavras. Personagens, narrador e pensamentos se fundem num texto só. Nasceu em Jundiaí - SP e mudou-se para São Paulo - SP aos 16 anos, onde se formou em Design Gráfico e cursou teatro pelo Teatro Escola Macunaima. Apresentou peças de Gianfrancesco Guarnieri e Friedrich Dürrenmatt.

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1 thought on “Revele-se para mim: Quando bate a saudade”

  1. amei o texto, muito lindo e emocionante, chega a ser inspirador, afinal a vida é isso mesmo: um monte de incertezas não sabemos nada do que acontecerá no futuro, é necesssário viver o presente!

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