Revele-se para mim

Revele-se para mim: Eu não te esqueci

“Revele-se para mim” são textos escritos por Lucca, um personagem/narrador que escreve e reflete sobre histórias, pensamentos e desabafos que ouviu pelas ruas…  Se você quiser que a sua história seja contada por Lucca, clique aqui.

 

Ouvi dizer que as histórias mal resolvidas são as mais difíceis de esquecer. Sabe aqueles relacionamentos que terminam de repente e sem maiores explicações? Ou então aqueles amores não conquistados… Sonhos que sonhamos juntos e que nunca são realizados?! Eu, sinceramente, tenho pavor de que isso aconteça comigo. Dói muito, dói demais. Cá entre nós, é uma verdadeira crueldade da vida. Mas também é belo, confesso. São amores profundos, inesquecíveis, que provocam riso e lágrima ao mesmo tempo. 

Tem dia que a gente amanhece exageradamente romântico, e foi o meu caso naquele dia de sol quente. Estava tão calor que eu até cogitei a possibilidade de não ir às ruas para ouvir as histórias daquele povo todo, mas qualquer coisa em mim me despertava a vontade de ir, dizendo-me: Hoje vai valer a pena.

 
E valeu… Uma garota entregou-me uma carta. Isso mesmo, uma carta. Ela não queria ficar ali sentada me contando sua história. Simplesmente escreveu seus desabafos num pedaço de papel e colocou sobre as minhas mãos. Eu, curioso como sempre, abri o papel e li um pequeno texto que dizia o seguinte:
 
“Ao Senhor Christian S. Z
Hoje após tanto tempo sem te escrever, decidi lhe falar algumas coisas que estão sempre comigo… Decidi expor os sentimentos que ainda habitam em mim. Talvez você nem leia, pois já se passou tanto tempo. O destino mudou a rota das nossas vidas… Mas de tudo que já me aconteceu, você foi a melhor história, o mais teimoso e até o mais chato, mas apesar de tudo foi você quem trouxe o amor verdadeiro para a minha vida. Pode até parecer uma brincadeira, pois faz muito tempo, mas olhe só: Eu ainda te amo, aliás eu sempre te amei. Decidi escrever isso quando, por um acaso, meu celular começou a tocar a nossa música: Symphonie – White Shadow, em um dia chuvoso, como naquela noite em que nós conhecemos, lá em 2012. Foi surreal, mas foi intenso desde o principio, era para ser, tinha que ser, tudo é pré-destinado em nossas vidas. Só a gente sabe como foi turbulento o nosso inicio, era tudo complicado. Tinha tudo para dar certo e no fim deu tudo errado. Será que erramos porque queremos? Será que a vida nos daria uma nova chance de mudar a nossa história?  São perguntas que talvez não tenham respostas. Queria eu poder partilhar dos seus momentos mais alegres e tristes. Nós tínhamos sonhos, planos, metas e não conseguimos realizar nenhum juntos. Sei que você os realizou com outras pessoas, eu me senti mal, eu chorei por muito tempo, foi uma grande frustração, mas no fundo eu só desejava ver você feliz, eu sempre quis a sua felicidade acima de tudo .
O tempo passou depressa demais lá fora, mas aqui dentro nada mudou. Eu insisti em você todos esses anos, você não me deu uma nova chance. Eu já pedi desculpas por tudo, mas apenas isso não é valido. Até parece que a única pessoa que errou em nossa historia foi eu, mas nós sabemos que não foi bem assim. Infelizmente. 
Falta algo aqui, falta você meu eterno amor. Ich Liebe Dich.”

 

Bonito né?! Eu confesso que me emocionei… Esquecer é impossível. Guardar no peito uma boa lembrança faz bem. Faz a gente achar que a vida vale a pena, mesmo quando as coisas não acontecem exatamente como a gente quer. Melhor ainda é saber que novas histórias estão por vir. Com toda certeza serão histórias melhores, muito melhores… E histórias que vão dar certo. Lembrar o passado é bom. Confiar no futuro também é muito bom. Construir um presente inesquecível é melhor ainda!
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Hugo Ribas é pisciano, escritor, leitor e também uma metamorfose ambulante. Criador deste blog e colunista do blog Que Me Transborde, adora se perder em sentimentos escritos e nem sempre consegue se encontrar em suas próprias palavras. Personagens, narrador e pensamentos se fundem num texto só. Nasceu em Jundiaí - SP e mudou-se para São Paulo - SP aos 16 anos, onde se formou em Design Gráfico e cursou teatro pelo Teatro Escola Macunaima. Apresentou peças de Gianfrancesco Guarnieri e Friedrich Dürrenmatt.

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