Revele-se para mim

Revele-se para mim: Um frágil coração de gelo

“Revele-se para mim” são textos escritos por Lucca, um personagem/narrador que escreve e reflete sobre histórias, pensamentos e desabafos que ouviu pelas ruas…  Se você quiser que a sua história seja contada por Lucca, clique aqui.

 

Eu sou chorão! Ah eu sou um chorão assumido! Nunca tive vergonha disso… Um dia talvez você tenha a oportunidade de conhecer a história da minha vida e talvez entenda os motivos pelos quais eu desenvolvi esse lado excessivamente emocional. Antigamente eu tinha um pouco de receio de pessoas frias, como se elas representassem perigo para mim… Como se elas estivessem sempre preparadas para me machucar sem dó, já que não se abalam por nada. Depois de um tempo acabei percebendo que elas são inofensivas, talvez até sensíveis demais, vulneráveis… E é exatamente por isso que se escondem por trás dessa máscara de frieza, simplesmente para se proteger das dores do mundo. Minha amiga Lia é um pouco assim, dura na queda, não chora por qualquer coisa, e vive tirando sarro de mim por me achar um fracote. Cá entre nós, acho que fracote mesmo é ela! Bom, hoje ouvi uma revelação que falava um pouco sobre isso… Uma moça cujos olhos brilhantes transbordavam emoção, vida, sonho e alegria disse para mim que se sentia fria… Na hora eu pensei: “Mas isso é impossível! Essa moça jamais será fria!” Enfim, com facilidade para se expor, ela me disse o seguinte:

-Desde pequena eu me acho uma pessoa fria, sabe. Enquanto todos os meus amigos choravam com filmes, livros, palestras e com basicamente TUDO, eu por minha vez, me sentia fria (coração de gelo), pois nunca fui do tipo que se emociona fácil. Porém, algo mudou meu ponto de vista: Certa vez a minha mãe me deu um livro que contava a história de uma mulher que trabalhava em cenas de crimes. Essa mulher tinha uma irmã que no final da história acabava morrendo depois de ter lutado contra o câncer (sempre o câncer, já reparou?)… Pela primeira vez meus olhos se encheram de lágrimas. Fiquei brava! Como assim EU estava chorando por causa de um ser fictício??!! E fiquei me achando uma fraca, alguém que não consegue aguentar nem uma morte de mentira… Pouco tempo depois eu entendi o que aconteceu. Eu não chorei pela personagem, mas sim pelo que a história dela me despertava. Por exemplo: A personagem tinha a fé de que Deus a salvaria, por isso ela lutava contra a doença, contra a dor e contra tudo, porém isso não aconteceu. Lendo aquela história, eu reparei que de repente poderia ser eu a enfrentar aquele problema. Eu me coloquei no lugar dela, por isso me emocionei. Nossos olhos tem glândulas lacrimais que produzem lágrimas o tempo todo; penso eu que estamos sempre chorando um pouquinho! Sempre! Só que um dia, a emoção fica tão insuportável dentro de nós que essas lágrimas transbordam… Choramos…  Com um livro, com um filme, com uma história, com alguma coisa. E não é que quando choramos pela primeira vez por algo tão singelo e, por vezes até bobo, como a história de um livro, despertamos um lado emocional, frágil e chorão? Pelo menos comigo foi assim! E você? Se acha forte? Pois saiba que de repente você pode chorar pelo que considera mais bobo… Banal… E quando isso acontecer, prepare-se meu amigo….

Mal sabe ela que eu sou um chorão de carteirinha! Choro com histórias de amor, perdão e luta… Choro por tudo… Mas choro, principalmente, de alegria =D

Emocione-se. Faz bem pra alma. A gente se sente mais humano. E isso é tão bom.

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Hugo Ribas é pisciano, escritor, leitor e também uma metamorfose ambulante. Criador deste blog e colunista do blog Que Me Transborde, adora se perder em sentimentos escritos e nem sempre consegue se encontrar em suas próprias palavras. Personagens, narrador e pensamentos se fundem num texto só. Nasceu em Jundiaí - SP e mudou-se para São Paulo - SP aos 16 anos, onde se formou em Design Gráfico e cursou teatro pelo Teatro Escola Macunaima. Apresentou peças de Gianfrancesco Guarnieri e Friedrich Dürrenmatt.

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