Revele-se para mim

Revele-se para mim: Ela se iludiu

“Revele-se para mim” são textos escritos por Lucca, um personagem/narrador que escreve e reflete sobre histórias, pensamentos e desabafos que ouviu pelas ruas…  Se você quiser que a sua história seja contada por Lucca, clique aqui.

Ela me contou que se apaixonou e se entregou de corpo e alma. Os olhos marejados falavam de medo, abandono e decepção… Ela achou que tinha encontrado o amor verdadeiro e não pensou duas vezes antes de se deixar levar. Afinal de contas, qual é a graça de amar, se não houver entrega e intensidade?! Amor, para mim, tem que ser intenso. Não gosto de nada morno. O problema é quando o coração da gente se engana e faz a gente andar por caminhos perigosos… Caminhos sem volta. Ela viveu uma história cheia de quedas e desengano, mas com surpresas maravilhosas também.

No início tudo é perfeito. A gente se apaixona e coloca a pessoa num pedestal muito alto, a gente fica que nem bobo, rindo à toa, ouvindo música o dia inteiro e curtindo aquela saudade. A gente acha lindo tudo o que a pessoa faz e diz. É tipo hipnose, sei lá o que acontece… É uma vulnerabilidade incrível. É como se jogar de um precipício, sem para-quedas, e achar aquilo o máximo.

Amar é um risco. O para-quedas pode não funcionar.

O cara era o máximo. Ela era ingênua, vítima de um coração adolescente e apaixonado. Estava entregue. E sem perceber, ela foi abrindo mão de tudo… Da família, dos amigos, até de si mesma. Deixou para trás os sonhos, os projetos, a alegria, a alma. Tudo isso porque acreditou que era amor. Era só ilusão, mentira pura! Pessoas mentem com palavras. Pessoas mentem com atitudes. Eu penso que o amor de verdade faz você crescer, amor de verdade faz você se amar cada vez mais, faz você se encontrar e não se perder… Não existe essa de “abrir mão de tudo” só por imposição de outra pessoa…

Quem impõe esse tipo de condição não quer te amar, quer te aprisionar.

De repente ela estava casada com um cara agressivo e sem o mínimo de caráter. Não havia respeito, não havia cumplicidade, não havia amor. As palavras belas se transformaram em acusações e ameaças. A mão que lhe fez carinho só lhe causava dor. Ela tinha só dezessete anos… E já estava vivendo a pressão da violência, da desilusão e do desespero.

A ilusão fez com que ela deixasse a juventude escorrer pelas mãos. Impossível reaver o tempo perdido.

No meio disso tudo, um único alguém era capaz de lhe fazer sorrir. O filho que tivera. Por ele, e só por ele, ela foi capaz de se libertar da prisão doentia em que tinha sido trancafiada… Mas as marcas ficaram muito bem gravadas no fundo do peito. Para sempre.

Esses falsos amores são venenosos, capazes de detonar uma vida. Preste atenção, não permita que alguém te faça infeliz. Existe um certo tipo de pessoa que vai te impor culpas, vai te convencer que você não vale nada, vai te obrigar a viver uma vida de ameaça, violência e abuso psicológico… Não permita que isso aconteça.

LIBERTE-SE… O quanto antes… Antes que seja tarde demais.

O amor é bom, o amor faz bem. O amor de verdade. E não se esqueça do amor próprio… Só ele vai te ajudar a discernir se o que você está vivendo é mentira ou verdade.

The following two tabs change content below.
Hugo Ribas é pisciano, escritor, leitor e também uma metamorfose ambulante. Criador deste blog e colunista do blog Que Me Transborde, adora se perder em sentimentos escritos e nem sempre consegue se encontrar em suas próprias palavras. Personagens, narrador e pensamentos se fundem num texto só. Nasceu em Jundiaí - SP e mudou-se para São Paulo - SP aos 16 anos, onde se formou em Design Gráfico e cursou teatro pelo Teatro Escola Macunaima. Apresentou peças de Gianfrancesco Guarnieri e Friedrich Dürrenmatt.

Latest posts by Hugo Ribas (see all)

Comments

comments

1 thought on “Revele-se para mim: Ela se iludiu”

  1. Infelizmente, muitas vezes temos que ser racionais no amor.
    Colocar o cérebro na frente, antes do coração.
    Mas nem sempre conseguimos, e sofremos por “decisões erradas”.
    Sempre há tempo pra recomeçar, pra jogar tudo pro alto, pra colocar pra funcionar o “Amor próprio”… Vamos?

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *