Textos do Hugo

Eu preferi me fechar




Ouço tantas histórias de amores perdidos, sonhos realizados, alegrias violentas e términos abruptos. E em cada uma delas encontro um pouquinho de mim… Um pouco de riso, um pouco de dor. Saudades que não morrem nunca. Arrependimentos amargos.

Tenho aqui comigo muitas decepções também. Medos que me impediram de viver algumas alegrias… Medos que me salvaram de pessoas que só queriam brincar comigo. Tenho inseguranças que não ouso revelar a ninguém. Tenho sonhos do tamanho do mundo… Isso me aproxima mais de vocês, essa vontade de ser feliz, esse desejo de amar. Essa mesma fobia à desilusão!!!

Talvez eu seja alguém com muito amor para dar. Amores que transbordam e abraçam o mundo inteiro.

Mas sou fraco…

Prefiro deixar esse amor quietinho aqui dentro de mim. Acontece que ele já levou tanta surra da vida que não consegue mais esquecer as cicatrizes.

Elas ardem até hoje.

E não há remédio que as cure…

Então esse amor tão grande fica ali preso numa gaiolinha, no porão do coração, bem escondido pra ninguém ver. Ele tem muitos medos… Medos de rejeição, perdas e novas decepções.

É uma decisão meio desesperada, eu sei. Já tentei convencê-lo do contrário, mas ele não me ouve.

Acredito que se ele ficar bem quietinho por um bom tempo, vai começar a perceber que todas aquelas dores ficaram definitivamente para trás. Aos poucos, bem aos poucos, este amor tão enorme, vai enxergar o mundo belo que existe no além das grades que ergueu em torno de si próprio.

E cá entre nós?! Acho que quando isso acontecer, ele terá se tornado mais forte, mais corajoso, mais preparado para enfrentar os embates da vida.

Será um amor mais maduro, mais belo, sem tantas carências e inseguranças, pronto para esbarrar num outro amor que seja merecedor de toda a sua grandeza e sinceridade.

Cada um de vocês deve ter uma dorzinha escondida no fundo do peito. Cada um à sua maneira, com sucessos e fracassos. Obstáculos gigantes. Às vezes é bom se fechar, provar das próprias amarguras, suportar certas saudades, encarar a carência de frente, compreender a própria irrealização e conviver com ela… Para finalmente superar tudo isso.

Nós vamos conseguir. Tenho certeza.

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Hugo Ribas é pisciano, escritor, leitor e também uma metamorfose ambulante. Criador deste blog e colunista do blog Que Me Transborde, adora se perder em sentimentos escritos e nem sempre consegue se encontrar em suas próprias palavras. Personagens, narrador e pensamentos se fundem num texto só. Nasceu em Jundiaí - SP e mudou-se para São Paulo - SP aos 16 anos, onde se formou em Design Gráfico e cursou teatro pelo Teatro Escola Macunaima. Apresentou peças de Gianfrancesco Guarnieri e Friedrich Dürrenmatt.

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