Eu ainda lembro de você

É…

Eu ainda lembro de você.

Juro, pensei que tinha virado a página.

Confesso, vivi algumas aventuras… Escrevi novos capítulos e li outros livros…

Mas foi inútil.

Nossa página ainda está aberta, escancarada diante dos meus olhos.

E qualquer esforço para fechá-la será em vão. Não sei lidar com capítulos inacabados. É muito difícil superar o nosso “final” infeliz. Eu sempre acabo acreditando que teremos uma nova chance, uma reviravolta, uma decisão inesperada. Imagino, desesperadamente, que você não vai suportar o peso da saudade…

Nos dias frios, quando o vento canta saudade, é de você que eu lembro.

É inevitável.

E com a lembrança vem um certo pesar, um desejo tímido de arriscar, um medo de me ferir outra vez. Pior… Medo de te machucar mais uma vez. Você sabe que eu nunca quis te causar dor, mas minhas fraquezas te afastaram de mim. Talvez eu não tenha sido forte o bastante para bancar o amor que sentíamos um pelo outro… Não sei.




Então prefiro o silêncio. Um silêncio muito dolorido, admito. Um vazio imenso, cheio de vontade de voltar atrás e fazer diferente. Fazer por você tudo o que fiz por pessoas que só brincaram comigo… Mas fui burro. Deixei que você partisse daquele jeito, profundamente magoado comigo, ferido de morte.

O passado não se apaga. Cicatriz não se desfaz.

Ainda que a gente tente, nada será como antes.

Eu penso: Será que vale a pena mexer nessa ferida?! Creio que não. Talvez seja melhor olhar essa página aberta com um certo carinho. Só isso. Nada de tentar mudar a história, trocar uma palavra ou apagar um parágrafo. Que essa página, ainda tão aberta, fique como está.

Vai ser melhor para nós dois pensarmos que tudo aconteceu como tinha que ter acontecido. É melhor pensar que o destino está nos reservando outros finais felizes. É melhor que seja assim, pode acreditar… Mesmo que essa triste conclusão nos cause uma certa dor. Mesmo que demore muito para conseguirmos superar. Mesmo que pareça impossível esquecer.

Sim, porque agora, neste exato momento, tenho a impressão de que esquecer é uma tarefa impossível. Talvez não seja questão de tentar te apagar da minha memória, mas sim de permitir que as lembranças venham… Talvez seja questão de aprender a lidar com elas e simplesmente seguir em frente. Desisti de tentar esquecer… Se lembrar é o que me resta, então vou lembrar, vou chorar e viver essa saudade até esgotar.

E quando “essa coisa que sinto” esgotar de vez, seguirei o meu caminho. Aliás, já estou seguindo. Com um pouco de dor, meio devagar, sem tantas esperanças bobas… Como dizem: um dia de cada vez.

Que a vida me surpreenda… E que ela te surpreenda também.


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Eu também sou colunista de outros blogs, dá um pulinho lá para conferir: Que Me Transborde / Superela /  Recalculando a Rota.

Hugo Ribas

Hugo Ribas é pisciano, escritor, leitor e também uma metamorfose ambulante. Criador deste blog e colunista do blog Que Me Transborde, adora se perder em sentimentos escritos e nem sempre consegue se encontrar em suas próprias palavras. Personagens, narrador e pensamentos se fundem num texto só. Nasceu em Jundiaí - SP e mudou-se para São Paulo - SP aos 16 anos, onde se formou em Design Gráfico e cursou teatro pelo Teatro Escola Macunaima. Apresentou peças de Gianfrancesco Guarnieri e Friedrich Dürrenmatt.

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