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E então decidi seguir




Depois de tanto sofrer, de não aguentar mais as noites em claro, depois de tanto ver o tempo passar e perceber que você não voltaria mais, eu decidi seguir. Decidi enxugar meu rosto e seguir pra dentro de mim. Você me decepcionou demais, me fez sofrer, me fez acreditar que um dia você estaria de volta, mas não fui isso que aconteceu. Eu literalmente esperei você. Esperei uma mensagem, uma ligação, um e-mail talvez, e o teu silêncio foi o maior sinal que recebi.

E todos os dias eu pensava: é hoje que vou ter notícias dele. Mas todas as noites ao dormir eu entrava na minha realidade: mais um dia sem ele. E depois de muito tempo assim, achando que uma hora ou outra o jogo ia virar, que tudo voltaria ser como antes, eu decidi abrir os olhos e encarar a verdade: ele está bem sem mim. Hoje quando digo que então decidi seguir, é porque me sobrou coragem e vontade de viver, de me livrar de todo aquele caos que ele deixou na minha vida com sua partida.

Não posso dizer que não amo mais, que não sinto mais saudade, que não sinto falta dele me perguntando como foi meu dia, ou o que faríamos no final de semana. Sinto, sinto e muito, muito mais do que qualquer pessoa possa imaginar. Se eu tentei fazer algo pra ter ele aqui? Fiz até demais. Demonstrei o meu amor até onde pude aguentar, mas cansei, estava exausta de lutar, de tentar, de sofrer cada dia mais por alguém que só era dor e tristeza.

Quando descobri que seguir não era necessariamente esquecer ou deixar pra trás a história que vivi, tomei a decisão de olhar pra frente.. Ele já não ocupa todo o meu coração, não invade os meus pensamentos com tanta frequência, mas estará sempre em minha lembrança.

Seguir não é se deixar pra trás, é se trazer de volta, se resgatar, tomar sua vida de volta em suas mãos, é trazer o destino a seu favor, ao seu controle. Seguir em frente também é uma forma de se escolher. E agora eu decidi me escolher todos os dias.


Gisele Ribeiro, Gaúcha – Gremista – Escorpiana. Jornalista e Relações Públicas, mora em Caxias do Sul, RS. Apaixonada por livros, música, poesia, chimarrão e cachorro. As coisas simples a encantam e as palavras a transbordam.


 

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Hugo Ribas é pisciano, escritor, leitor e também uma metamorfose ambulante. Criador deste blog e colunista do blog Que Me Transborde, adora se perder em sentimentos escritos e nem sempre consegue se encontrar em suas próprias palavras. Personagens, narrador e pensamentos se fundem num texto só. Nasceu em Jundiaí - SP e mudou-se para São Paulo - SP aos 16 anos, onde se formou em Design Gráfico e cursou teatro pelo Teatro Escola Macunaima. Apresentou peças de Gianfrancesco Guarnieri e Friedrich Dürrenmatt.

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