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Onde estamos buscando o amor da nossa vida?




Somos insanos, essa é a única certeza que tenho. Ouvimos falar de amor quase todos os dias da nossa vida. Falo quase somente como força de expressão porque desde que acordamos até quando voltamos a deitar, todos os dias, somos atormentados pela culpa de não termos alguém para amar incondicionalmente ou que assim nos ame. Porém, nessa equação não conta pai, mãe, irmão ou amigo. Me refiro ao amor maluco dos comerciais de perfume e das novelas que prometem fazer nosso coração saltar pela boca e, como num encantamento, atender todas as necessidades da nossa existência. Onde queremos chegar assim?

E assim nos tornamos seres atormentados por cobranças de algo que, aparentemente, deveria ser tão leve. Buscamos um padrão e nos encaixar nele a qualquer custo, para acharmos esse tão cultuado amor de nossas vidas. E assim nos tornamos mecânicos e previsíveis. Aliás, estamos sempre buscando entrar em forma. A qualquer custo queremos ter o corpo, o cabelo, a voz e tudo mais que está em alta na promessa de nos destacarmos na multidão. Mas, Será que é possível encaixar nossos sentimentos numa fôrma como tentamos encaixar nossos corpos?

O verdadeiro amor não é assim. Só é possível amar outro alguém da mesma forma que ama a si mesmo, assim como você é. Porém, para isso é preciso saber o quanto de amor você está disposto a dar a si mesmo, sem negar ou esconder suas sombras ou aquilo que alguém, um dia, te convenceu que é um defeito. Na negação desse amor que já nasce conosco, buscamos fora o que temos dentro. Desaprendemos uma das maiores habilidades, uma das que nos fazem humanos, a habilidade de simplesmente amar. Um amor assim, puro e simples. Um desses amores que nada cobram e tudo dá de si numa entrega genuína.

Certamente muitos amores vieram e foram, mas por estar tão sobrecarregado dessas crenças e entulhos, mal pode perceber que amores são como as marés, veem de mansinho e imundam nossa alma e, na mesma mansidão, nos deixam e deixam em nossas vidas, corpos e alma uma doce lembrança. Todos, sem exceção, já nascemos com esse app instalado no nosso coração. Para poder usá-lo é preciso esquecer tudo o que leu, viu e aprendeu sobre o que é amar. Quando nos tornamos uma página em branco é que damos espaço que, em nossas vidas, seja escrita a mais linda história de amor.

Por isso, hoje, antes de questionar se um dia você vai encontrar alguém para abraçar, sorrir, chorar, amar e dividir todos os dias da sua vida, lembre-se que esse alguém já está ai, é você mesmo. A partir do momento que você se convencer disso, uma luz se acende do fundo do seu peito. E é nessa luz que as almas gêmeas se reconhecem e são atraídas uma para a outra. Para isso basta permitir-se SER e SÓ.


Matheus Miranda é um vagalume que se propôs a ser ele mesmo, mesmo sabendo que a busca por si mesmo é sempre algo constante e mutável. Apaixonado pela escrita é membro idealizador do blog SER E SÓ. Leonino com a lua em virgem, estudou  Logística além de viajar apaixonadamente pelo comércio exterior, e por projetos com processos criativos e de co-criação. Entende que entre livros, vinhos e pessoas está o supra sumo do universo e o que vem em seguida disso é de regalo extra da maravilhosa vida.


 

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Hugo Ribas é pisciano, escritor, leitor e também uma metamorfose ambulante. Criador deste blog e colunista do blog Que Me Transborde, adora se perder em sentimentos escritos e nem sempre consegue se encontrar em suas próprias palavras. Personagens, narrador e pensamentos se fundem num texto só. Nasceu em Jundiaí - SP e mudou-se para São Paulo - SP aos 16 anos, onde se formou em Design Gráfico e cursou teatro pelo Teatro Escola Macunaima. Apresentou peças de Gianfrancesco Guarnieri e Friedrich Dürrenmatt.

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