Textos dos colaboradores

Eu superei




A vida é mesmo uma comédia.

A gente sofre horrores pelo fim de uma história, mas só consegue saber mesmo a profundidade do corte quando chega ao desafio final sabe? Aquele que te coloca cara a cara com o agente causador do mal.

E eu percebi que sofri mais do que realmente merecia, tratei como fratura exposta um corte superficial, dei mais importância a essa perda do que ela realmente valia.

Percebi isso na noite que te vi no mesmo bailinho de quinta, aquele tão temido encontro por acaso que todo mundo nessa situação evita.

“Você está mais magro”, pensei. O corte do cabelo continua o mesmo, e essa jaqueta fui eu quem te dei.

Quando chegou perto pensei que fosse sentir meu coração pular pra fora do peito, me preparei, criei toda uma expectativa com fundo musical e tudo.

Aí você chegou, sorriu, e me deu três beijinhos , afinal, o combinado era sermos amigos certo?

Enquanto você falava da sua vida.. dos seus planos e projetos, de onde estava e aonde queria chegar,  sempre mais seguro da vida que eu, eu só conseguia pensar no que estava errado com meu coração, será que morreu?

Está calmo, quieto, nenhuma variaçãozinha se quer. Espera, deixe-me ver a respiração, deve estar uma loucura, mas também sem nenhuma reação com a chegada sua.

Senti uma decepção, como se tivesse que sentir sua falta, como se algo dentro de mim tivesse obrigação de doer, mas não doeu e foi bem estranho, admito… Fiquei sem entender.

Procurei em você pacientemente algum traço que justificasse aquele meu sofrimento de semanas.

Os olhos ainda castanhos, mas pra mim diferentes, não tinham mais aquelas 3 cores que eu via sempre, iam do verde folha seca ao mel, lembro bem. Era só mais um par de olhos castanhos, nada mais além.

Foi quando então, tu disse sentir minha falta e que me queria por perto.

Eu, seguindo o automático pensando em você em primeiro lugar como num reflexo disse que sentia tua falta também.

Você sorriu, sorriu muito, tipo um sorriso largo e aberto. Como se fosse tudo o que você esperava ouvir, como se aquilo te indicasse um recomeço que acabara de ser descoberto, uma nova e linda história a se compor, uma outra chance pro “amor”.

Então, antes que virasse uma cena de novela,  cheia de expectativas e próximos capítulos, antes que tocasse Jorge e Mateus e confundisse toda minha vida, me posicionei, desmenti, não sentia sua falta.

Não precisava de você muito menos de nós, percebi que não precisava mais te agradar, falando o que você queria ouvir.

Nossa história já havia acabado, a ferida cicatrizado, antes mesmo de eu chegar ali.

Estou na fase de fazer o melhor por mim, e naquele momento já havia percebido que o melhor pra mim não era mais você.

Então te desejei uma boa vida, virei as costas e fui embora, não sozinha desconsolada como quando brigávamos, fui embora muito bem acompanhada e com coração sóbrio.

Fomos embora eu e meu amor próprio.

E hoje, estamos muito bem juntos, obrigada


Viviane de Oliveira Teixeira, mora em Ubá, interior de Minas Gerais. 
Transfere para o papel tudo o que lhe inspira e lhe incomoda, sempre compartilhando com as pessoas, refletindo e buscando aprender cada vez mais.

The following two tabs change content below.
Hugo Ribas é pisciano, escritor, leitor e também uma metamorfose ambulante. Criador deste blog e colunista do blog Que Me Transborde, adora se perder em sentimentos escritos e nem sempre consegue se encontrar em suas próprias palavras. Personagens, narrador e pensamentos se fundem num texto só. Nasceu em Jundiaí - SP e mudou-se para São Paulo - SP aos 16 anos, onde se formou em Design Gráfico e cursou teatro pelo Teatro Escola Macunaima. Apresentou peças de Gianfrancesco Guarnieri e Friedrich Dürrenmatt.

Latest posts by Hugo Ribas (see all)

Comments

comments

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *