Textos do Hugo

Eu amei por nós dois e acabei só




Não tive como fugir. Eu me tornei refém do que sentia… Eu me apaixonei. Fui feliz, tenho certeza. Os dias tinham cor e a saudade me arrancava o riso. Fiz de você o meu refúgio… Você foi o meu porto seguro. Eu sabia, eu sabia que o seu afeto por mim era menor. Qualquer coisa entre a gente não se encaixava… Eu fingia não perceber. Achei que o tamanho do meu amor seria capaz de te conquistar. Pensei que mais cedo ou mais tarde você ia me enxergar, você ia me amar…

O tempo foi passando e eu fui entendendo que a nossa história era uma invenção dessa minha cabeça apaixonada pela ideia de amar. Você, cada vez mais reticente, pouco se importava comigo. Eu não via saudade nos teus olhos, não sentia amor nos teus beijos e não me completava no teu abraço. De tudo isso, restava uma dúvida cruel:

Se você não me amava, por que continuava ali comigo?!

Demorei para encontrar essa resposta. Talvez você me amasse… Você me amou, eu sei. Mas era diferente. Era pouco. Era mínimo. Era um bem querer, um carinho muito especial… Qualquer coisa com essa temperatura morna.

Doeu.

Eu senti raiva. Eu juro que te culpei por tudo, eu cheguei a pensar que você estava brincando comigo.

Decidi colocar o ponto final… O maldito, ardido e cáustico ponto final.

E então aconteceu o inesperado. Uma lágrima triste surgiu nos teus olhos e desceu devagar… Nós dois sabíamos que aquele era o fim… Sabíamos que uma saudade amarga estava chegando para ficar e que não havia nada a ser feito. Não tínhamos como evitar.

Você só gostava de mim. Eu te amava com todas as minhas forças.

Eu tentei, eu juro que eu tentei fazer você me amar. Você se lembra das músicas que te mandei? Das cartas que escrevi?! Quantos textos apaixonados, quantas promessas eu te fiz… Quantos planos. Você se lembra daqueles sonhos que inventamos? Das noites inteiras que passamos juntos, felizes, rindo, amando, sentindo… Em cada momento que passei ao seu lado, eu juro, eu acreditei que seria para sempre.

Eu acreditei que os nossos sonhos se tornariam realidade…

Mas não existe amor que sobreviva à falta de reciprocidade.

Eu vivi o agonizar do amor tão grande que eu sentia. Ele foi morrendo lentamente, sozinho. A solidão é absurdamente venenosa… Ele sucumbiu, agonizou e morreu.

Acabou.

Você foi embora, muito triste, é claro, mas rapidamente superou essa saudade. Eu te vi sorrindo e feliz por aí… Eu te vi apaixonado, eu te vi seguindo em frente…

E foi exatamente nessa hora que esbarrei em alguém que me estendeu a mão e me ajudou a levantar. Alguém que estava sempre por perto, mas que eu desprezava. Alguém que pedia para ser visto, mas eu não enxergava. Alguém que me fez sorrir novamente, alguém que me mostrou a felicidade, alguém que me acolheu verdadeiramente… Alguém que lutou por mim até me ver completamente recuperado.

Um alguém chamado AMOR PRÓPRIO.


Hugo Ribas é pisciano, escritor, leitor e também uma metamorfose ambulante. Criador deste blog, adora se perder em sentimentos escritos e nem sempre consegue se encontrar em suas próprias palavras. Personagens, narrador e pensamentos se fundem num texto só. Nasceu em Jundiaí – SP e mudou-se para São Paulo – SP aos 16 anos, onde se formou em Design Gráfico e cursou teatro pelo Teatro Escola Macunaima. Apresentou peças de Gianfrancesco Guarnieri e Friedrich Dürrenmatt.


 

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Hugo Ribas é pisciano, escritor, leitor e também uma metamorfose ambulante. Criador deste blog e colunista do blog Que Me Transborde, adora se perder em sentimentos escritos e nem sempre consegue se encontrar em suas próprias palavras. Personagens, narrador e pensamentos se fundem num texto só. Nasceu em Jundiaí - SP e mudou-se para São Paulo - SP aos 16 anos, onde se formou em Design Gráfico e cursou teatro pelo Teatro Escola Macunaima. Apresentou peças de Gianfrancesco Guarnieri e Friedrich Dürrenmatt.

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