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Barco à deriva




Somos como barcos à deriva em um mar de nós mesmos, perdidos por um misto de tempestades e marés calmas, muitas vezes sem saber se devemos seguir navegando ou simplesmente deixar de lutar contra algo que, aparentemente, está fora do nosso controle. Cada marca em nosso casco conta um pouco da nossa história, dos desafios pelos quais passamos, quantas tempestades vieram e tentaram de todas as formas nos afundar, quantas vezes lutamos e sobrevivemos a cada uma delas.

Estar nesse mar é de certa forma assustador, toda sua imensidão muitas vezes nos deixa inseguros, não saber para onde ir, o que fazer ali, por isso escolhemos um caminho e apenas tentamos segui-lo, dizendo para nós mesmos que sabemos para onde ele irá nos levar, mas no fundo não sabemos; não tem como conhecermos toda a extensão desse mar em tão pouco tempo, uma vida parece-nos tão pouco, mas talvez nem a eternidade nos permitiria tal feito, mesmo assim sempre tentamos conhecer o máximo que podemos alcançar de sua extensão, saber quem somos e até onde podemos ir.

Entretanto não basta navegar apenas na sua superfície, a real beleza do mar está em suas profundezas, onde se escondem todos seus mistérios. Não se deve ter medo de se afogar, de se conhecer, saber o que mais se é, ver além de si mesmo, de tudo aquilo que muitas vezes nos tornamos por medo de sermos o que realmente somos, por medo nos descobrir. Podemos estar perdidos em cada dia de nossas vidas, sem rumo, sem um porto seguro para nos abrigar ou até nos afogar em nós mesmo, mas não se pode entregar à tempestades, medos ou qualquer adversidade que apareça, pois as maiores descobertas se fizeram por não se saber para onde ir, por se estar perdido, porque a graça da vida não está em saber para onde ir, onde tudo nos levará, e sim em estar perdido, em todos os caminhos que tomamos e podemos tomar, sejam eles certos ou errados, para tentar nos encontrar.

Não tenha medo de estar perdido, pois nós só nos encontramos no momento que aceitamos nos perder em nós mesmos.


Alex Jezuino de Barros, 20 anos, sagitariano, nasceu em Conchal, interior de São Paulo e atualmente mora na cidade de São Paulo, onde cursa Têxtil e Moda na EACH USP; gosta de ler, músicas de todos os estilos, séries e filmes diversos.


 

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Hugo Ribas é pisciano, escritor, leitor e também uma metamorfose ambulante. Criador deste blog e colunista do blog Que Me Transborde, adora se perder em sentimentos escritos e nem sempre consegue se encontrar em suas próprias palavras. Personagens, narrador e pensamentos se fundem num texto só. Nasceu em Jundiaí - SP e mudou-se para São Paulo - SP aos 16 anos, onde se formou em Design Gráfico e cursou teatro pelo Teatro Escola Macunaima. Apresentou peças de Gianfrancesco Guarnieri e Friedrich Dürrenmatt.

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