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Talvez o seu amor já esteja do seu lado

Quando era ainda um adolescente, ouvi de Fabrício Carpinejar uma estória de amor. Mas não dessas de princesas e príncipes encantados. Ele contava que todas as manhãs a sua esposa, ao preparar a mamadeira de seu filho, deixava sobre a pia da cozinha uma pontinha da caixa de leite a qual ela cortava e não jogava no lixo. Isso era algo que o irritava profundamente. Porém, certa vez ao viajar com seu filho, ela não repetiu esse ritual matutino e ele, ao se levantar e não constatar o pivô de discussões regulares, teve seu peito invadido por uma tristeza. Aquele gesto, por mais que o irritasse, era uma forma velada de um dizer para o outro “Hey, estou aqui”!

Esse relato mexeu muito comigo. Me fez pensar em quantas vezes pessoas que realmente nos amaram, talvez de seu jeito (como se houvesse um jeito certo!), demonstraram em singelos gestos esse sentimento e nós, fixados no horizonte, não os percebemos. Sim, porque se o amor não é único, as suas expressões são menos ainda. Ficamos na janela esperando que alguém venha numa cena apoteótica nos livrar da monotonia de nossas vidas, enquanto desprezamos, ou simplesmente não vemos, os nossos possíveis amores demonstrando rotineiramente o sentimento que nutrem por nós.

Estamos muito acostumados com os roteiros dos filmes e novelas. Sinceramente eu acho que essas produções, mesmo muito lindas, acabaram por estragar um pouco a nossa percepção de mundo. Com elas passamos a acreditar que tudo na vida deveria seguir um roteiro pré-estabelecido, desde como o nosso dia deveria ser até como deveríamos nos apaixonar. O problema disso tudo é que vamos deixando de perceber os pequenos milagres do cotidiano, aquelas coisas simples que poderiam, se permitíssemos, deixar nosso dia muito mais lindo. O amor também é feito disso.




Talvez aquela implicância que você tem com aquela pessoa, seja o motivo diário dela te irritar… Talvez você fique lindo bravo. Já pensou que talvez o seu namorado sempre chega despenteado com o propósito de você brigar com ele e fazê-lo arrumar o cabelo. Talvez este seja o único modo de você olhar para ele. Talvez, até de forma inconsciente, você sempre esquece às chaves para ter um motivo para discutir e ser ouvida.

Estamos sempre olhando o horizonte, aquilo que poderia ser. Porém, se por um momento, conseguíssemos fixar nossa atenção a todos os sinais que a vida nos dá no agora e neles identificássemos as pequenas demonstrações de amor, a vida teria um outro sabor, um sabor de fruta mordida! Por isso, meu convite é para que você olhe para tudo e todos que o cercam nesse momento, procure identificar quais aspectos te prendem e a quem! Não é preciso de uma grande história de amor para dar sentido a sua vida. Talvez só o que você precise é reconhecer os amores que já tem e ainda não consegue ver.


Matheus Miranda é um vagalume que se propôs a ser ele mesmo, mesmo sabendo que a busca por si mesmo é sempre algo constante e mutável. Apaixonado pela escrita é membro idealizador do blog SER E SÓ. Leonino com a lua em virgem, estudou  Logística além de viajar apaixonadamente pelo comércio exterior, e por projetos com processos criativos e de co-criação. Entende que entre livros, vinhos e pessoas está o supra sumo do universo e o que vem em seguida disso é de regalo extra da maravilhosa vida.

Se você quiser fazer perguntas sobre a vida, o amor, sobre os nossos sentimentos tão contraditórios ou se quiser que sua história se transforme em textos aqui do blog, fique à vontade para deixá-la aqui nos comentários… Se não quiser que a sua identidade seja revelada, é só clicar em CONTATO, preencher o formulário, ou então deixar uma mensagem na nossa página do Facebook 😉
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Hugo Ribas é pisciano, escritor, leitor e também uma metamorfose ambulante. Criador deste blog e colunista do blog Que Me Transborde, adora se perder em sentimentos escritos e nem sempre consegue se encontrar em suas próprias palavras. Personagens, narrador e pensamentos se fundem num texto só. Nasceu em Jundiaí - SP e mudou-se para São Paulo - SP aos 16 anos, onde se formou em Design Gráfico e cursou teatro pelo Teatro Escola Macunaima. Apresentou peças de Gianfrancesco Guarnieri e Friedrich Dürrenmatt.

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