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Boa noite meu bem

Toda noite antes de dormir eu fechava meus olhos e te desejava boa noite. Era quase um segredo, um instante só meu, quase uma prece. Era uma forma de chegar perto de você mesmo sabendo que você não estava alí, um jeito de te beijar em silencio, de diminuir a saudade. Eu podia te sentir sem ao menos te tocar.

É incrível como a presença ou a ausência de uma pessoa, é capaz de encher de saudade e tristeza um coração que passa os dias sorrindo. As noites são sempre mais difíceis, elas revelam um brilho que não existe, uma magia que não se entende e um sentimento que não se pode explicar. As noites são sempre as mais temerosas, cheias de pesar. Acho que é a hora em que a gente mais pensa e menos sabe como deixar de pensar. Todas as noites eu te colocava pra dormir mesmo não te vendo adormecer. Era como se te ninasse daqui.

As coisas se findam, os dias cessam, as lembranças aparecem, as saudades se reforçam. Mas você não vai estar, você não vai chegar. Todas as noites eu sussurrava baixinho o quanto eu queria te ter por perto, mas eu ainda adormeço com teu silêncio, com tua falta, com tudo que você deixou aqui.

Boa noite meu bem, que de tanto bem hoje já não é mais. Já não é a última pessoa pra quem eu escrevo, nem a primeira que eu desperto, já não é o sussurro que eu escuto e o sonho que eu vivo. E em todas as noites de uma chuva qualquer eu encho meus olhos de saudade e me ponho a chorar.




Todas as noites eu te aconchegava do meu lado, te fazia um carinho, te esperava sonhar. Hoje já não cabem acertos, nem desculpas que te façam ficar. Já não se sabem mais as noites e nem os dias de esperar. Já não se acham poesias e nem rimas pra acalmar. Já não se perdem os desejos e nem o escuro pra assombrar. Já não cabem felicidades se não tem a quem partilhar. Já não se cabe fé forte se não existe por quem rezar.

Boa noite meu bem era um hino sagrado, um carinho calado, uma pureza selada. Hoje faltam argumentos e o tempo que te separa de mim. Hoje não cabem mais promessas e nem a pressa de te ver surgir. Hoje já não são mais os avessos e nem mesmo o vento que assobia pra mim. Já não existe adormecer calmo se sua ausência perturba em mim. Já não adiantam as preces se o que cresce é solidão aqui. Já não precisam mais de estrelas se seus olhos já não refletem a mim.

Boa noite meu bem que tanto querer me fez sentir, que tantos planos me fez sorrir, que tantos desertos enfeitou pra mim. Boa noite meu bem, que de tanto bem já não tenho coragem de seguir.

Boa noite meu bem!


Gisele Ribeiro, Gaúcha – Gremista – Escorpiana. Jornalista e Relações Públicas, mora em Caxias do Sul, RS. Apaixonada por livros, música, poesia, chimarrão e cachorro. As coisas simples a encantam e as palavras a transbordam.


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Hugo Ribas é pisciano, escritor, leitor e também uma metamorfose ambulante. Criador deste blog e colunista do blog Que Me Transborde, adora se perder em sentimentos escritos e nem sempre consegue se encontrar em suas próprias palavras. Personagens, narrador e pensamentos se fundem num texto só. Nasceu em Jundiaí - SP e mudou-se para São Paulo - SP aos 16 anos, onde se formou em Design Gráfico e cursou teatro pelo Teatro Escola Macunaima. Apresentou peças de Gianfrancesco Guarnieri e Friedrich Dürrenmatt.

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