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Quando você é sempre a última opção

Quando você é sempre a última opção…

Puxa uma cadeira, pega uma bebida, aproveita e traz junto um pacote de bolachas. Senta aqui que nós vamos conversar.

Hoje nós vamos falar sobre a última bolacha do pacote. Isso, aquela mesma que sempre fica lá, esperando para ser comida, mas que aparentemente ninguém quer. Aquela bolacha que às vezes está meio quebrada, ou que simplesmente ficou para trás porque todas as outras foram comidas, e agora, a fome já passou.

E sabe por que ninguém quer comê-la? Não, não é porque ela seja menos bonita que as outras, ou qualquer coisa assim. É porque ela sempre esteve lá. O pacote todo acaba, mas ela vai ficando para trás, e por fim, acaba sendo literalmente a última opção para todos.

Acho que você já percebeu onde vamos chegar. Isso mesmo: muitas vezes eu e você somos a última bolacha do pacote de quem é o mercado todo em nossas vidas. E isso meu caro amigo, dói e dói muito por sinal.

Quando você é a última opção na vida de alguém, vez ou outra surge uma mensagem em seu celular… Mas essa mensagem não passa de um pedido de socorro feito por quem não sabe a quem recorrer, e por isso, recorre a você. Pergunta se vai pra balada, mas quando chega lá, encontra outros amigos e te deixa no canto. Pede ajuda para fazer o trabalho, e por fim, deixa tudo por sua conta. Só aparecendo de novo para “pedir desculpas” por não ter ajudado muito, é que “estava sem tempo, na correria”… Sabe como é né?!

Quando você é a última opção na vida de alguém, o beijo sai, mas só porque a solidão bateu à porta, e bem, estar sozinho não é uma opção.

Os abraços, carinhos e palavras só servem para quando realmente não há mais ninguém disponível. E não, isso não acontece em público, afinal, a primeira opção pode estar por perto, e ninguém quer perder a prioridade de sua vida, não é mesmo?




E há mensagens, recados e ligações também. Mas todas essas maneiras de chamar sua atenção são para pedir carona e pedir o número de fulano… Pedir tal roupa emprestada, pedir para conversar por não estar bem, pedir. Sempre pedir, mas nunca dar em troca.

Assim como quem come o pacote de bolachas, as pessoas têm fome de atenção e carinho. Elas se dispõem a preencher seu vazio de qualquer forma. Mesmo que para isso seja preciso usar a bondade e generosidade de outra pessoa como combustível de sua individualidade.

E então, é hora de procurar por alguém que tenha palavras doces. Alguém que tenha um abraço apertado, riso sincero e companhia grátis para satisfazer sua vontade de estar bem.

Quando você é sempre a última opção seu telefone vai tocar, pode acreditar que vai. No entanto isso só vai acontecer porque a primeira, segunda e terceira opções estão ocupadas demais para alimentar o ego de quem está te ligando.

Sim, a função básica da última opção é manter as demais opções em pé. A última opção não é um contatinho, é um contato; não é um crush, é um esquema; não é um rolê, é uma saidinha. A última opção é a válvula de escape necessária a quem não consegue ficar só. Ela é aquela camiseta velha que a gente mantém no guarda-roupas para usar quando o pijama estiver sujo, sabe? Ou para quando for pintar a casa e não puder manchar a roupa com tinta. Ela é isso: uma possibilidade.

Mas não se sinta mal; não mesmo. A última opção também é sempre aquela pessoa de bem, que acredita na bondade das pessoas, mesmo que aparentemente ela não exista, e isso, meu bem, é sem dúvida alguma a coisa mais bonita que há no mundo.

A última opção é aquele ser que vez em sempre é chamado de trouxa pelos amigos… Mas que apesar disso continua segurando as pontas deles para que seus mundos não desabem no penhasco das escolhas erradas.

A última opção é o porto-seguro de qualquer um, pois está sempre disposta a tentar outra vez, a aconselhar outra vez, a abraçar outra vez, a amar outra vez.

A última opção é sempre a última nas vidas das pessoas erradas, mas para as pessoas certas, ela logo se torna a primeira. Então, quando você for o topo na vida de alguém, não o torne a base da sua; pelo contrário, faça por merecer por quem está fazendo valer a pena.

Não dê o topo de seu coração a quem precisa pedir para que você chame por nem ao menos ter seu número salvo. Não, não faça isso. Priorize em seus dias quem te dá prioridade nas horas, e dificilmente seu coração será partido (mais uma vez). Seja a primeira, segunda, terceira… última opção na vida de quem for, mas seja sabendo que quem decide seu presente e futuro é você mesmo.

Você será a última opção se permitir que isso aconteça, e da mesma forma será a primeira se permitir-se viver o que está à sua frente. Então, minha querida opção, trate sua vida com carinho e mantenha em seu caminho apenas quem deseja estar nele… E não quem aparece por acaso, sem saber ao certo o que está fazendo ali.

Lembre-se de que além e você o mundo está repleto de últimas opções, esperando para ser encontradas, amadas e tornadas em primeira opção.


quando voce e sempre a ultima opcao

Raquel Gonçalves, Ela é a menina que grita em silêncio, e desenha em palavras o uni-verso. A Deus tudo atribui e, dele, tudo recebe. Sempre flutuando em outros mundos, mas com os pés fixos neste aqui. Como canta Ana Carolina: “é que eu sou feita pro amor da cabeça aos pés, e não faço outra coisa se não me doar”.


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Hugo Ribas é pisciano, escritor, leitor e também uma metamorfose ambulante. Criador deste blog, ele adora se perder em sentimentos escritos e nem sempre consegue se encontrar em suas próprias palavras. Personagens, narrador e pensamentos se fundem num texto só. Colunista também dos blogs Que Me Transborde e Recalculando a Rota. Nasceu em Jundiaí – SP e mudou-se para São Paulo – SP aos 16 anos, onde se formou em Design Gráfico e cursou teatro pelo Teatro Escola Macunaima. Apresentou peças de Gianfrancesco Guarnieri e Friedrich Dürrenmatt. Foi premiado em 5º lugar no XV Concurso Literário JI / AEPTI, na categoria Contos e Crônicas.

Entre em contato: ribashugo@hotmail.com


“Lembrar de você não dói mais. Pensar em você é como lembrar de uma piada tola… A gente dá uma risadinha e logo esquece.” – Hugo Ribas

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Hugo Ribas é pisciano, escritor, leitor e também uma metamorfose ambulante. Criador deste blog e colunista do blog Que Me Transborde, adora se perder em sentimentos escritos e nem sempre consegue se encontrar em suas próprias palavras. Personagens, narrador e pensamentos se fundem num texto só. Nasceu em Jundiaí - SP e mudou-se para São Paulo - SP aos 16 anos, onde se formou em Design Gráfico e cursou teatro pelo Teatro Escola Macunaima. Apresentou peças de Gianfrancesco Guarnieri e Friedrich Dürrenmatt.

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