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A geração rasa

Somos a geração rasa, a geração que molha só os pés, que pouco se atreve e que não se aprofunda. Somos a geração que sabe de tudo um pouco, mas que não sabe muito sobre nada. Somos a geração que busca carreira, dinheiro, reconhecimento e fama, mas de sentimentos passamos longe.

Nós não nos importamos em trocar encontros com a família por reuniões, viagens com amigos por hora extra, diplomas por experiências, amor por paixão. Para a nossa geração tudo é cedo demais; cedo demais para namorar, cedo demais para se prender em alguém, cedo demais para amar, cedo demais para decidir algo importante.

Até as desculpas de nossa geração são rasas. Pensamos que temos a vida pela frente, que precisamos conhecer muitas pessoas antes de nos apaixonarmos de verdade. Somos a geração que deixa tudo pra depois; depois a gente come bem, depois a gente vai ao médico, depois a gente pratica exercício, depois a gente cuida de si próprio.

Nossa geração é especialista em se deixar pra depois.

Nós adiamos as férias, adiamos aquele bate papo com os amigos, o passeio com o cachorro, a visita aos pais… Adiamos, muitas vezes, a felicidade. No mês que vem a gente visita os avós, semana que vem a gente tira um final de semana para descansar. Adiamos muitas coisas e esquecemos que a vida é agora.

Nós preferimos construir impérios a construir relações sólidas e verdadeiras. Não conhecemos nossos vizinhos de porta, nem sabemos que tem um supermercado novo no nosso bairro. Nem tão pouco sabemos que nosso primo será pai, que o nosso melhor amigo terminou o namoro, que nossa mãe precisa de ajuda para mudar os móveis de lugar.

Somos a geração do superficial, do olhar rápido, da aparência em primeiro lugar, do não estragar a maquiagem ou o penteado, de não causar rombos na conta bancária e de nada sair do nosso controle. Tudo raso demais.




Para nossa geração basta estar presente na rede social, comemorar o aniversário via Skype, dizer que tem saudade através do WhatsApp, demonstrar amor através do Facebook. Conhecer alguém bacana fica pra próxima, gostar de alguém a gente agradece.

Somos a geração da ansiedade, do amanhã, nunca do hoje. E se for hoje, nada que seja profundo demais, nada que me faça mergulhar em algo ou em alguém. Não queremos entrar de cabeça nas coisas que não sejam do nosso próprio interesse, e olha que selecionamos bem demais nossos interesses.

Somos a geração das comidas rápidas, das refeições com pressa, das pessoas com músculos grandes e caráter nem tanto. Somos a geração que lucra muito e têm corações vazios. Somos a geração dos dois empregos, de muitos divórcios, das casas gigantes e da solidão. Somos a geração das ligações raras, das manifestações de carinho mais raras ainda.

Nossa geração é cheia de conhecimento, mas pobre de sentimentos, de compaixão, de amor ao próximo, de empatia. Nossa geração não consegue olhar pro lado antes de olhar pro seu próprio umbigo. Nossa geração é escrava de convenções e regras.

É muita tecnologia pra pouco toque, pra pouco beijo, pra pouco abraço, pra pouco eu sinto saudades, pra pouco eu te amo, pra pouca vida. Somos a geração segura de si e vazia dos outros. É muito medo pra pouca vontade de tentar, é muito controle pra não viver o que a vida tem reservado pra gente. É muita gente vazia e cérebros ocos esbarrando em que está cheio de coisas boas pra dar.

Não seja raso, beije demorado, abrace com força, diga tudo o que sente com verdade.

Seja de verdade, seja você mesmo, não tenha medo de viver, de experimentar, de se aventurar. A vida é um presente. Não seja raso, não torne os outros rasos, não se deixe secar.


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Gisele Ribeiro

Gisele Ribeiro, Gaúcha - Gremista - Escorpiana. Jornalista e Relações Públicas, mora em Caxias do Sul, RS. Apaixonada por livros, música, poesia, chimarrão e cachorro. As coisas simples a encantam e as palavras a transborda.

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