hugo ribas felicidade disfarcada
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Felicidade disfarçada

Felicidade disfarçada.

Você chega em casa tarde da noite, depois de um dia cansativo de trabalho, depois de dezenas de reuniões e assuntos para resolver. As costas e a cabeça doem. Você não teve seu melhor dia. Mas você resolve dar uma passadinha nas redes sociais. Cachorros fofinhos, comidas deliciosas, fotos em lugares incríveis, sorrisos, abraços, declarações de amor, festas, bebidas, amigos reunidos, tudo isso surge como um banquete na sua timeline.

Com certeza na rede social ninguém é tão feliz como prega. Na rede social você se torna aquilo que mostra e escreve, na maioria das vezes você não é você mesmo. Na rede social todo mundo tem cabelo bom, rosto sem espinha. Corpo sem gordurinha, coração sempre em ordem, saúde sempre boa. Na rede social a gente pratica atividade física, supera super bem o fim do namoro, temos a família perfeita, temos a vida perfeita. Somos equilibrados emocionalmente e maduros na medida certa. Temos uma vida social badalada de dar inveja a muito famoso por aí.

Na rede social todo mundo ama o que faz, ama seu chefe, não enfrenta nenhum desafio durante a vida inteira. Na rede social todo mundo tem centenas de amigos, mas ouso dizer que conta-se nos dedos da mão os de verdade. Na rede social todo mundo faz coisas extraordinárias, mas carrega na bolsa o seu remédio pra ansiedade e insônia. Todo mundo, na rede social, expõe suas melhores qualidades, mas e os defeitos? Sinto muito, mas todo mundo os têm.

Na rede social somos especialistas em marcar nossas melhores lembranças através de imagens: o pé na areia, o amor em família, a farra com os amigos na festa passada, a cerveja gelada no verão, o almoço perfeito com as amigas, o pedido de casamento surpresa na beira do mar. Mas será que estes momentos ficaram gravados na nossa alma antes de serem gravados numa foto?




É preciso entender e aceitar que não somos tão sociais quando publicamos. Que não temos o número de amigos igual ao do perfil, que não somos tão populares quanto aparentamos ser. Que não estamos em todos os lugares, que não somos tão lindos sem o aplicativo de fotos, e que não somos tão felizes quanto imaginamos e postamos ser.

Engraçado que na rede social ninguém comenta que perdeu o emprego. Ninguém fala que seu relacionamento teve fim, que seu casamento está punk… Ou que cuidar dos filhos é realmente uma tarefa difícil, ninguém posta que está em débito com o banco. Ninguém posta seus problemas em ordem alfabética e nem enumera suas derrotas.

Ninguém é feliz 24 horas por dia, 30 dias num mês ou 365 dias no ano. Ninguém é vencedor de todas as batalhas que enfrenta e, no entanto a rede social está repleta dessa felicidade disfarçada.

Felicidade não se mede por quantas fotos de viagem você postou, por quantos amigos você arrecadou, por quantos likes você ganhou. A felicidade na rede social é editada, tiramos as marcas de expressão, as dores e feridas do coração. Colocamos um sorriso branco e uma luz boa e esquecemos que essa nossa felicidade foi criada.

Felicidade mesmo são aqueles momentos que nem uma imagem é capaz de traduzir. É aquela frase dita ao pé do ouvido que a gente nem tem coragem de publicar, aquele trabalho bem feito que entregamos no fim do dia. Felicidade é aquele sonho que a gente leva pra sempre e que é impossível de explicar apenas num post. Felicidade é quando ninguém está olhando e só a gente está sentindo de verdade.


Se você gostou desse texto da Gisele Ribeiro, deixe seu comentário <3 E olha, tenho certeza que você vai AMAR esse texto também: É preciso estar preparado para a felicidade

Eu também sou colunista de outros blogs, dá um pulinho lá para conferir: Que Me Transborde / Superela /  Recalculando a Rota.

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Gisele Ribeiro

Gisele Ribeiro, Gaúcha - Gremista - Escorpiana. Jornalista e Relações Públicas, mora em Caxias do Sul, RS. Apaixonada por livros, música, poesia, chimarrão e cachorro. As coisas simples a encantam e as palavras a transborda.

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