nosso mundo particular hugo ribas
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Nosso mundo particular

Nosso mundo particular.

Não, não me leve a mal, não é nada com ninguém, mas hoje eu preciso ficar sozinha. Nada de música e nem televisão, pois hoje eu quero achar a minha presença. Eu preciso ter um encontro comigo, entenda, por favor!

Eu só quero um tempo pra me colocar no colo e sossegar o peito. Eu preciso de um tempo pra eu dar um jeito, achar um caminho, um meio de ir sem deixar ninguém pra trás, sem machucar ninguém, sem me machucar.

Às vezes a gente se deixa em pedaços pra manter os outros inteiros, e isso não pode mais acontecer. Ando cansada de olhar pro lado antes de olhar pra dentro. Eu preciso me vasculhar, e sentir de novo, dar a mim mesma mais uma chance, uma chance não sei bem pra quê, mas uma chance.

Sei lá, talvez eu precise de mais uma chance pros meus sonhos, pro meu sorriso, uma chance pra mim. Hoje eu só preciso calar essa voz que grita dentro de mim e que algumas vezes consegue me calar. Eu acho que eu preciso ouvir meu coração e realmente entender o que ele quer. Hoje não tem espeço pros livros e amigos, tem espaço só pra mim.

Têm horas que é necessário parar, atracar o barco, ancorar as velas e sentir o vento. Têm horas que é necessário desconstruir pra construir outra vez. Às vezes têm jeitos que não tem mais jeito e sentidos que já não sabem o que sentir. Têm ideias que não se mudam e caminhos que nos roubam de nós.




Por isso é que hoje eu preciso de silêncio, porque o silêncio também é feito de perguntas e incertezas, ele é memória e lembrança. Serve para afastar os dilemas, retomar as forças, encontrar verdades e relembrar as esperanças. O silêncio serve para acertar os ponteiros, diminuir as culpas, aliviar os erros, reassumir o controle.

Não há nada de errado em ter dias só meus, dias em que não quero saber de nada nem de ninguém.

Não há nada de errado em conversar consigo mesmo, com os medos, com as inseguranças, com aquilo que a gente realmente sonha e quer.

Não há nada de errado em ter dias que não estamos nem pra samba e nem pra rock. Nem por isso precisamos mascarar nossa vontade de ficar pra dentro. Não há nada de errado em não aceitarmos convites pra festas que não temos o que brindar.

Daqui a pouco a gente volta, todo mundo volta, se refaz, se prepara pra próxima dor, pra próxima história que talvez não dê certo, ou pra próxima vitória. Uma hora dessas a gente acha os motivos e as respostas, ou não, e tudo bem por ser assim. A vida não precisa ter sempre respostas.

Não há nada de errado em você ser você mesmo. Permitir-se sorrir só quando realmente se tem vontade. Permitir-se entender as coisas e as pessoas só depois que passamos a nos entender e a nos ver melhor. Não há nada de errado fazer o que se realmente quer, fazer o que realmente se deixa em paz, o que deixa o coração tranquilo e cheio de verdade.

Ouvir-se é o mergulho que realizamos em nós mesmos e não a entrega que damos aos outros. Têm horas que o barulho lá fora está de matar, mas o barulho de dentro está bem pior. É tanta coisa gritando, pedindo atenção, que nos esquecemos de que o nosso mundo particular precisa estar em ordem pra se viver bem nele e deixar alguém entrar de novo.


Se você gostou desse texto da Gisele Ribeiro, deixe seu comentário <3 E olha, tenho certeza que você vai AMAR esse texto também: Eu não queria me apaixonar por você

Eu também sou colunista de outros blogs, dá um pulinho lá para conferir: Que Me Transborde / Superela /  Recalculando a Rota.

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Gisele Ribeiro

Gisele Ribeiro, Gaúcha - Gremista - Escorpiana. Jornalista e Relações Públicas, mora em Caxias do Sul, RS. Apaixonada por livros, música, poesia, chimarrão e cachorro. As coisas simples a encantam e as palavras a transborda.

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