a maior prova de amor e deixar ir
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A maior prova de amor é deixar ir

A maior prova de amor é deixar ir.

Senta aqui comigo, vamos conversar um pouquinho. Ia pedir pra trazer um café, mas ao invés disso pegue logo uma vodca. Algumas conversas precisam de bem mais que cafeína para ser digeridas.

E então, como estamos? Espero que as mãos já não doam mais, pois, se ainda doem, é sinal que o coração está agonizando. Sente-se. Não precisa ter medo, quem vai falar sou eu, limite-se a dar crédito ao que será dito.

Quando era criança tinha o costume de brincar com o gato de minha mãe. Ele era arisco, mas vez ou outra me permitia abraçá-lo, e como não tinha noção da força de meus abraços, apertava o gato até lhe irritar e ver suas garras sendo expostas na tentativa de me atacar. Quando isso acontecia eu me assustava, soltava o gato e dizia a todos que ele havia tentado me machucar.

Um dia meu pai se cansou da situação cotidiana e me apertou também. Hoje eu rio quando me lembro disso, mas enquanto ele me apertava eu me senti sufocada e com medo. Quando me soltou ele disse “Tá vendo? É assim que o gato se sente!”.

EU NUNCA MAIS APERTEI O GATO.

Essa simples e boba situação aplica-se tão bem ao amor que oferecemos, e que acreditamos receber. Quando amamos alguém queremos sua companhia sempre ali, ao nosso lado, nos fazendo bem, abraçando, beijando e tudo mais. O problema é que nem sempre isso está sendo bom. Na verdade, em alguns casos mais extremos, o que está havendo é que a situação é tão sufocante que o outro já pensa em nos agredir por meio de palavras e atitudes.

Amor é proteção, é aconchego e proximidade, mas também é espaço, e isso não é algo simples de compreender.




Quando você limita seu parceiro ou parceira a estar apenas com você automaticamente o está impossibilitando de ter uma vida e com certeza isso não é bom. Antes de você adentrar o coração dessa pessoa já havia gente ali; havia amizades, familiares, círculos sociais, conhecidos do clube ou da igreja e tantas outras personalidades que diariamente faziam parte de suas horas. E então você chegou! E é maravilhoso ter alguém como você ao lado, mas isso não significa que essa pessoa não possa mais conviver com quem já estava acostumado.

Um amor deve somar em nossas vidas; somar experiências, risadas, conhecimentos, histórias, fotografias e muitos beijos, mas nunca, em hipótese alguma, um amor deve nos tirar algo. É preciso ponderar os dois lados e buscar o equilíbrio entre estar próximo e estar dentro.

E em casos mais extremos há o momento em que a relação está por um triz, e você insiste em se agarrar à linha tênue na expectativa de que o fio torne-se uma corda forte e grossa, capaz de arrastar um carro, mas bem, tenho de lhe dizer: quanto mais fina a corda, mais fácil de causar machucados às mãos.

Quando o fio é fino não há sustância no aperto. Traduzindo em palavras comuns: você aperta, aperta e a corda corre no suor das suas mãos.

O que estou dizendo é que a maior prova de amor que você pode dar a você mesmo e também a essa pessoa que fez parte da maioria de suas histórias é permitir que ela se vá, proporcionando a oportunidade de voar outros campos e talvez pousar em outro ninho. E sim, é triste pensar assim; quando se ama, o que menos se quer é ver a pessoa amada em outros braços, mas bem, já dizia a Bíblia Sagrada “o amor tudo sofre” (I Coríntios 13.7).

Talvez a relação esteja conturbada porque entre vocês dois alguém está sendo a menininha sufocante e o outro, o gato sufocado. E o gato expõe as garras e mostra que vai lhe machucar, porém você ama o gatinho, e apesar de temer suas garras, insiste em tê-lo nos braços.

Deixe ir. Por duro que seja, deixe ir. Por sofrido que seja, deixe ir. Por triste que seja, deixe ir. Murro em ponta de faca serve apenas para machucar. Deixe que a liberdade de se permitir viver a situação de outra forma permita ao outro ver o seu real valor. Quando estamos separados, então percebemos o quanto era bom estar juntos, e nessa percepção amadurecemos nossas ideias, desejos e certezas.

Deixe ir. Talvez lá na frente vocês se reencontrem num café em Paris, num show do ColdPlay ou na esquina da casa da sua tia. Talvez se beijem frente um prédio alto, ou apenas sorriam um para o outro pela janela do ônibus. Quem sabe vocês se encontrem num restaurante e possam contar um ao outro sobre o casamento marcado (com outra pessoa). Ou até mesmo, numa dessas brincadeiras da vida, vocês possam nunca mais se encontrar. O destino é imprevisível, e por isso tudo o que imaginamos não passa de idealizações. Toda forma, separados vocês seguirão caminhos menos árduos que os atuais.

Prova de amor mesmo é permitir que a corda se solte das mãos ao invés de esperar pelo susto do arrebentar repentino. Deixe ir. Deixe mesmo. Se for seu, voltará a você, mais maduro mentalmente, saudável emocionalmente, e responsável psicologicamente. E você também estará mais evoluída e saberá melhor como lidar com muitas das situações que hoje em dia parecem o fim do mundo.

Deixe, que se não for seu, abrirá caminho para algo na medida exata do seu coração. O mais importante é parar de sangrar feridas que não necessitam permanecer abertas. Deixe ir, e vá também. Siga novos caminhos, encontre novos motivos, que amanhã é outro dia, e isso significa que é tempo de tudo novo.


Se você gostou desse texto da Raquel Gonçalves, deixe seu comentário <3 E olha, tenho certeza que você vai AMAR esse texto também: Vou esquecer de tudo o que senti por você

Eu também sou colunista de outros blogs, dá um pulinho lá para conferir: Que Me Transborde / Superela /  Recalculando a Rota.


“Lembrar de você não dói mais. Pensar em você é como lembrar de uma piada tola… A gente dá uma risadinha e logo esquece.” – Hugo Ribas

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Raquel Gonçalves

Raquel Gonçalves, Ela é a menina que grita em silêncio, e desenha em palavras o uni-verso. A Deus tudo atribui e, dele, tudo recebe. Sempre flutuando em outros mundos, mas com os pés fixos neste aqui. Como canta Ana Carolina: “é que eu sou feita pro amor da cabeça aos pés, e não faço outra coisa se não me doar”.

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