hugo ribas onde foi que mudou
Textos dos colaboradores

O que você era?! E onde foi que mudou?!

O que você era?! E onde foi que mudou?!

Quando me sentei para escrever este texto não imaginava quantas verdades ele traria em cada letra digitada. E eu ouvi a música I found do Amber Run umas cinquenta vezes, e em todas elas foi a primeira vez.

O som abafado das notas que compõem a canção casam perfeitamente com a nossa história… Cheia de começos, e meios, e recomeços, mas nunca fins.

Com a cabeça recostada na parede, a chuva molhando minha janela e o gosto doce do café que acabara de beber, eu chorei. Sim, eu chorei. Chame-me de fraca se quiser, mas eu chorei. E foi o pior choro de minha vida, pois foi um choro silencioso e sem lágrimas. Eu não havia chorado desde sei lá quando. Isso me fez perceber o quanto sou forte apesar das inúmeras cicatrizes. Quando não se chora por fora, soluça-se por dentro, e isso é pior que uma adaga perfurando a costela.

Talvez por saber que enfim eu chorei você possa me considerar fútil e pequena. Mas sem sombra de dúvida eu aguentei sorrindo, de cabeça erguida e peito aberto um peso que muita gente não carregaria nem mesmo urrando. Onde foi que você se perdeu?

Diga-me, por favor, diga-me em qual esquina você se perdeu em si mesmo e decidiu que era hora de tornar-se uma outra pessoa… Fingir que nada daquilo havia acontecido. Em que ponto de nossa infindável história você simplesmente resolveu tornar-se outra pessoa, ou coisa, ou sei lá o que… Sair andando sem nem olhar para trás e me abandonar sozinha, com medo.

Onde foram parar os olhares, as risadas, os sorrisos e abraços? Em que lugar você deixou para trás todo aquele amor que jurava de pés juntos sentir? Onde estão os olhos sorridentes e as palavras de conforto que me fizeram pela primeira vez acreditar que eu era digna de ser amada?




Quando olho para trás na esperança de encontrar meus cacos, juntá-los todos e me recompor, infelizmente só enxergo os pequenos e ao mesmo tempo tão grandes momentos que passamos juntos. As brincadeiras tão nossas, as confissões, as ajudas e dificuldades em compreender o jeito um do outro.

E hoje tudo são marcas, como pegadas deixadas na areia por alguém que a passos curtos e pesados decidiu dar um passeio pela orla de uma praia. É isso o que fui para você? Um passeio, uma viagem pelo desconhecido, uma nova aventura… Talvez eu tenha sido simplesmente o porto seguro onde você aportou seu navio com medo das tempestades, ou até mesmo o farol que em meio à escuridão da noite brilhou o suficiente para lhe nortear.

Ainda não sei, e acredito que jamais saberei ao certo. A única certeza que tenho é a de que em algum momento, num nano segundo tão pequeno, eu te perdi. Não, não perdi para outra pessoa, nem para outro amor, mas perdi para o que você se tornou. Perdi para a pessoa que havia aí dentro, e que não sei dizer se sempre esteve aí, se surgiu do além, ou se foi inventada com o intuito de me afastar.

E por essa pessoa eu sangrei em silêncio… Como uma pessoa que lentamente morre baleada por um tiro, e que pouco a pouco para de buscar socorro, para de esperar por ajuda, para de sentir…

Me pergunto todos os dias se esse “novo você” nasceu, ou se eu não quis enxergar sua existência. Mas não o odeio; este ‘você’ – sim, entre aspas, porque ainda não consigo acreditar que ambas as personalidades pertençam à mesma pessoa – este ‘você’ veio a ser a medida que levarei daqui para frente sempre que conhecer um novo alguém. Em cada novo sorriso lembrarei com ternura de como era bom ter seus braços ao redor do meu corpo. E de como foi difícil receber o último adeus sem nem uma explicação plausível e sincera.

Você sempre será a preferência…

Você sempre será o primeiro lugar, a estrela mais bonita do meu céu. Mas também será o rosto que em meio à bagunça deixada em minhas memórias traz sorrisos de prazer e suspiros de insegurança. Mas eu não queria que fosse assim… Eu nunca quis.

Espero sinceramente que você se encontre. Sim, você, e não eu. Sei que está perdido. E acredito que até mesmo confuso e com medo, pensando sobre ter feito a escolha correta ou não.

 

Sei que meu fantasma sempre retornará a seus pensamentos.

E o fará chamar por meu nome. E talvez até lhe obrigar a falar comigo na esperança de reencontrar o norte de sua vida. Sei que ao me ver ficará tenso, animado, feliz e envergonhado ao mesmo tempo. Mas também sei que estarei de braços, ouvidos e coração abertos para saber sobre o peso e a delícia do seu mundo.

Só quero que você fique bem, e que possa se encontrar em você mesmo… Para então encontrar as pessoas que querem e merecem permanecer ao seu lado. Se posso lhe dar um conselho, então que seja este: encontre-se dentro de você, e após fazer isso, não se perca mais. Não se permita dar espaço suficiente para o medo e a dúvida lhe afastarem do que você quer manter perto.

Apenas vá. E tenha sempre certeza de que nas águas agitadas do seu mar ainda resta a calmaria de minhas palavras tão puras e sinceras ecoando em você. Encontre-se.


Se você gostou desse texto da Raquel Gonçalves, deixe seu comentário <3 E olha, tenho certeza que você vai AMAR esse texto também: Vou esquecer de tudo o que senti por você

Eu também sou colunista de outros blogs, dá um pulinho lá para conferir: Que Me Transborde / Superela /  Recalculando a Rota.


“Lembrar de você não dói mais. Pensar em você é como lembrar de uma piada tola… A gente dá uma risadinha e logo esquece.” – Hugo Ribas

Raquel Gonçalves, Ela é a menina que grita em silêncio, e desenha em palavras o uni-verso. A Deus tudo atribui e, dele, tudo recebe. Sempre flutuando em outros mundos, mas com os pés fixos neste aqui. Como canta Ana Carolina: “é que eu sou feita pro amor da cabeça aos pés, e não faço outra coisa se não me doar”.