Eu me culpo pelo fim do nosso relacionamento e isso não está certo

Eu me culpo pelo fim do nosso relacionamento e isso não está certo

Hoje eu parei para pensar no nosso quase relacionamento e, bem, não é algo que eu goste de lembrar todos os dias.

Toda vez que você passa pelos meus pensamentos, a culpa me invade. Ela não me pede licença nem bate à porta. Ela entra sem ser notada; e quando eu me dou conta, ela já está ali fazendo-me conviver com todas as más lembranças da nossa história.

Ela não permite que eu me lembre dos sorrisos e dos nossos momentos de alegria.

Ela só me faz pensar no jeito estranho com que você olhava, frequentemente, o meu corpo. Um dia você me perguntou o que eram aquelas “coisas” nas minhas pernas. Eu te expliquei que eram estrias, algo tão comum em todas as mulheres. Você não gostou da resposta.

Eu me senti muito culpada quando percebi que você nunca estava contente com o meu físico, embora eu me esforçasse ao máximo para te agradar.

Quando você me disse que eu deveria perder uns quilinhos, eu tentei. Não por mim, não por beleza, nem para tentar parecer mais saudável. Mas por você, simplesmente porque você queria.

A todo instante a culpa me dizia “se você não fizer isso, você vai perdê-lo”.

Você mentia, dizendo-me que não pedia isso por você, mas por mim.

Engraçado que eu até me sentia bem no nosso relacionamento. No começo tudo parecia tão leve, tão bom de levar. Lembro dos planos, de cada detalhe seu. Eu gostava de você por inteirinho, com todas as suas qualidades e seus defeitos.

“Nós dois juntos” éramos perfeitos. Pena que “nós dois juntos” nunca existiu realmente.

Em seguida a minha insegurança começou a se apresentar, mas acho que você não a recebeu muito bem.

Você dizia que eu era boba… Mas não, eu não era boba, eu só estava demonstrando os meus medos. Na verdade eu confiava tanto em você, que expus o meu pior lado.

E ao invés de me abraçar, você se afastou.

Nosso relacionamento cresceu sobre bases muito fracas. Cheia de falhas.

Eu nunca escutei você dizer que me amava. Talvez isso fosse um sinal. Aliás, você me deu muitos sinais, vários deles, mas a paixão que eu sentia não me deixou enxergá-los. Não me deixou perceber que nós jamais daríamos certo.

Cada dia que passava eu me afastava de mim mesma, a ponto de não me reconhecer mais. Coloquei seus planos e desejos acima dos meus, acima do que eu queria.

A gente ia levando, não sei exatamente o porquê, nem para quê.




Enfim… Os seus sonhos se tornaram meus. Eu queria entrar de vez na sua vida, no seu quarto e conhecer seus cantinhos. Queria ver você sorrindo, queria ser o motivo dos seus sorrisos, de todos eles.

Eu certamente falhei em muitos pontos. Foram tantos que perdi as contas, talvez por imaturidade, ingenuidade… ou por qualquer outra coisa.

Até que um desejo foi crescendo em mim. O desejo de sentar e conversar. De tentar arrumar aquela bagunça e colocar todos os sentimentos no lugar. Mas eu te olhava e perdia a coragem, deixava para amanhã, pois eu não queria te aborrecer.

Você jogava futebol e eu te olhava de longe… Sempre tão leve com os amigos. Por que tão pesado comigo?

Então eu parei diante de um espelho e me olhei. Procurei o que estava faltando. Mais uma vez a culpa me invadia e eu chorava escondida.

Nesse meio tempo eu me tornei uma garota tímida demais, com vergonha do próprio corpo, vítima da pressão para emagrecer e ficar igual as garotas que você considerava “ideais”. Me tornei alguém que ninguém reconhecia.

Logo chegou o nosso último final de semana juntos.

Era sexta-feira, eu estava animada pra te ver. O sábado à noite seria a primeira vez que sairíamos juntos para jantar. Planejei o penteado do meu cabelo e a maquiagem que eu usaria. Queria te impressionar.

Você estava estranho, mas eu estava tão acostumada, que não percebi a diferença.

Conversamos por mensagem, pedi para dizer o que estava te incomodando. Você insistiu em dizer que não era nada. E foi do nada que você terminou tudo comigo.

Minha reação foi achar que era brincadeira sua. Será que o garoto brincalhão que eu conheci havia voltado?

Você insistiu, disse que iria entrar na faculdade e que não teria cabeça para mim. Eu implorei. Sim eu implorei para você me escutar, me deixar ficar na sua vida e ver seu crescimento. Eu implorei por mais uma chance.

Lembro dos dias seguintes. O choro compulsivo, a culpa que grudou em mim e sussurrava “você não foi boa o suficiente, você não conseguiu”.

Eu me culpava sem ter culpa nenhuma! Eu não tinha feito nada de errado além de gostar de você com todas as minhas forças.

Hoje eu prefiro esquecer. Prefiro ficar em silêncio quando me perguntam sobre você.

Não tenho você nas redes sociais, na vida e nem no coração.

Hoje eu sei que parte da culpa do nosso relacionamento não ter dado certo também foi minha.

A culpa foi minha quando eu não impus os meus limites da mesma forma que você impôs os seus. A culpa foi minha quando eu não disse CHEGA! A culpa foi minha quando eu deixei de dizer que eu era perfeita do meu jeito. Eu me culpo por não ter acabado com tudo antes de você me machucar.

Não quero que tu pareça um monstro, porque você não é. Lembro-me do brilho dos teus olhos e tenho certeza de que você tem um bom coração, mas você precisa aprender a respeitar as diferenças. Você precisa crescer. Amadurecer. Tornar-se homem de verdade.

De tudo isso, fica para mim um grande aprendizado: Nem sempre podemos dar ouvidos à culpa. Ela nem sempre sabe o que está falando.

Deixo aqui uma mensagem para vocês que já se sentiram assim como eu, que já sentiram essa culpa que tanto me fez sofrer:

Quando a culpa quiser te envenenar, olhe firme para ela e diga “Eu não preciso de você”.

Quando ela vier, tranque sua porta principal: O coração.

Sorria e se sinta o suficiente. Sorria e preencha-se, acima de tudo, com o amor próprio. Porque é ele que vai te proteger da culpa e dos relacionamentos abusivos.

Então se ele resolveu ir e te deixar, está na hora de você ir também.

Não fique com quem menospreza seu amor, seu corpo e sua vida. Não se apaixone por uma ilusão.

Nem sempre é fácil, mas com o tempo você entende que às vezes não é pra ser. E talvez isso seja o melhor.


Deixe sua opinião, conte sua história ou seu desabafo nos comentários abaixo, vou respondê-los com todo carinho, afinal de contas todos nós temos as nossas doçuras e amarguras dentro do coração <3

Leia também esse texto, você vai AMAR com certeza: Eu me declaro culpada

Saiba um pouco mais a respeito da Bia Civa clicando aqui.

Enfim, eu também sou colunista de outros blogs! Então, dá um pulinho lá para conferir: Que Me Transborde / Superela /  Recalculando a Rota.

Bia Civa

Bia Civa, 19 anos, mora em Mato Castelhano/RS, canceriana, apaixonada por livros, música e violão, gosta das coisas simples da vida, um abraço apertado, um perfume, um beijo ou até mesmo um aperto de mão.

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