E a culpa agora é de quem?

E a culpa agora é de quem?

Você já sentiu culpa? Óbvio que sim! Culpa por ter dormido tarde e perdido a hora, culpa por ter esquecido algo importante ou por ter brigado com alguém que lhe é especial. Culpa por terminado uma história, culpa por ter falado demais ou por não ter falado nada. Culpa por gostar muito ou por não demonstrar que gosta.

Culpa.

No sentido literal culpa é a responsabilidade dada a algo ou a alguém que provoque prejuízo. Mas se falarmos de forma subjetiva, o que é a culpa? Culpa pode ser quando desapontamos alguém ou a nós mesmos. Pode ser quando não fizemos tudo que estava ao nosso alcance para que determinada coisa desse certo.

Mas você já parou pra pensar que você não é um atlas e que não precisa carregar o mundo nas costas? Muito menos carregar a culpa por tudo o que acontece. Às vezes nos julgamos, nos punimos por coisas que nem dependiam totalmente ou exclusivamente de nós. Não depende só de nós que um relacionamento dê certo, não depende só de nós que role aquele emprego que a gente batalhou tanto para conseguir. Muitas coisas nesse mundo não dependem APENAS de nós… E mesmo assim a gente insiste em se culpar.

A culpa talvez seja uma forma de amenizar a dor que sentimos por determinada situação. É uma forma de deixar a balança igual pra cada lado. Ninguém briga sozinho, ninguém ama sozinho, ninguém tem sempre razão, ninguém está totalmente certo ou totalmente errado. A vida é um verdadeiro equilíbrio.

Talvez você pudesse ter sido mais amável, ter tido mais paciência, ter agido diferente naquela noite, mas têm coisas que não dependem só de um lado. E isso dá um alívio danado. Dá um alívio saber que você estudou tudo que pôde para aquela prova. Dá um alívio saber que você notou que sua amiga realmente faz falta e que vocês não podem ficar longe. Dá um alívio danado saber que você amou alguém com todas as suas forças e fez tudo que sabia e podia para manter ele por perto. Dá um alívio danado saber e aceitar que somos humanos.

Humano é a raça que pensa, mas é a raça que também erra. E acho que errar também é um direito. Ninguém sabe tudo e que graça teria se sempre fizéssemos tudo certo? Se não quebrássemos as regras? Acho que o ser humano é culpado por muita coisa, mas também é culpado por se culpar tanto.

Quantas vezes queremos nos punir? Queremos um castigo pelos nossos erros, pelos nossos fracassos, pelas nossas perdas.




Não podemos nos culpar porque alguém não nos ama da forma como gostaríamos, nem podemos nos culpar porque alguém nos machucou. Não podemos nos culpar porque mudamos de ideia sobre determinada situação ou sobre nossas decisões.

A culpa destrói sonhos, histórias, amizades. Ela destrói nossa saúde mental e emocional. A culpa, na verdade, é um grande veneno que se ingerido em doses equivocadas pode causar muita tristeza e decepção. A vida é muito curta para nos culparmos por cada sentimento errado que tivemos, por cada palavra errada que pronunciamos, por cada amor que negamos, por cada alguém que foi embora.

Nós não precisamos sentir culpa por nossas histórias, por nossas experiências ou por cada sentimento. É muito cruel se toda vez que cometermos um erro pregássemos um preguinho em algum lugar do nosso corpo como sinal de castigo por nosso erro.

Assim como não podemos nos culpar por tudo, também não podemos culpar os outros por nossas tragédias tão pessoais. Ninguém tem culpa porque não pagamos a conta em dia, porque não fizemos aquele trabalho no prazo estipulado. Ninguém pode ser culpado por não nos querer no coração, nem pela vida que escolhemos viver.

Tudo bem a gente sentir culpa, mas no tempo e na medida certa. Acredito muito na teoria de que o que não é pra ser nosso realmente não será. E assim o que é pra ser terá toda força necessária para acontecer. Então não nos culpemos antes da hora. Talvez a única culpa que cabe a nós mortais é a de não ter feito tudo que era possível, por não ter vivido tudo que nos foi oferecido, por não ter amado todo amor que nos foi presenteado e por não ter sido feliz do jeito que nos foi recomendado.

A culpa é um sentimento que provavelmente perambula com frequência pelo nosso coração, mas ela não deve ser maior que o perdão, que a felicidade, que a empatia, que o carinho, que o respeito pelos outros e principalmente por nós mesmos. É tanta gente se culpando por tanta coisa pequena que se esquecem de sentir culpa pelo que realmente importa.

Vamos nos culpar pelo que realmente merece nossa penitência e o restante deixa pro outro lado da balança. Nada de segurar tudo nas mãos, no pensamento e no coração. A culpa só cabe mesmo a quem não vive, a quem não sonha, a quem não experimenta, a quem não se machuca, a quem já não tenta encontrar a sua real felicidade. A culpa não precisa ter nome, não precisa ser de ninguém e tá tudo certo se for assim também.


Deixe sua opinião, conte sua história ou seu desabafo nos comentários abaixo, vou respondê-los com todo carinho, afinal de contas todos nós temos nossas dores e doçuras emocionais <3

Então se você gostou desse texto da Gisele Ribeiro, deixe seu comentário <3 Enfim, tenho certeza que você vai AMAR esse texto também: Eu me culpo pelo fim do nosso relacionamento e isso não está certo.

Eu também sou colunista de outros blogs, dá um pulinho lá para conferir textos ainda mais lindos: Que Me Transborde / Superela /  Recalculando a Rota.

Gisele Ribeiro

Gisele Ribeiro, Gaúcha - Gremista - Escorpiana. Jornalista e Relações Públicas, mora em Caxias do Sul, RS. Apaixonada por livros, música, poesia, chimarrão e cachorro. As coisas simples a encantam e as palavras a transborda.

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