Eu ainda não superei a minha mágoa

Eu ainda não superei a minha mágoa

Eu não sou só sorrisos. Já fui. Mas muita coisa mudou depois que você aconteceu.

Não se engane, isso não é bom. Você sabe exatamente o que fez.

Não é fácil se jogar de cabeça e sair ilesa desse lance de amor. Você vai sair com marcas, isso é certo.

Mas numa escala de zero a dez, o tombo que você me deu foi dez! Está de parabéns.

Preciso confessar que por um instante eu pensei que eu fosse forte. Pensei que nada que viesse de você me atingiria ou me faria sangrar. Eu achei que estava preparada para o que viesse. Acreditando cegamente que o que viesse seria muito bom, sempre.

Eu estava segura em mim mesma, sabia exatamente o que fazer, até onde ir; e eu tinha a certeza de que se alguém saísse ferido na nossa história, esse alguém certamente não seria eu.

Mas quem diria, nem eu mesma me conhecia de verdade. Para ser sincera não sei o que mais dói hoje, se é o buraco que você abriu covardemente sem anestesiar ou o fato de eu ter permitido seu acesso ao meu mundo com toda sua fragilidade.

Veio forte, num arranco de dentro pra fora. Feriu, doeu e dói sempre que cutuco.

O nome disso é mágoa. E não me iludo acreditando que vai passar.

Tentei acreditar que isso passaria, e numa tentativa frustrada de me sentir forte outra vez, de me mostrar superior a você, eu me aproximei, fiquei cara a cara, banquei a madura. Então mais uma vez falhei e você me fez doer. Quem vê pensa que eu gosto de sofrer, mas não é difícil perceber que foi um ato de desespero. Eu só queria ressignificar tudo aquilo de uma forma que eu não me sentisse tão burra. E eu fui exatamente burra, por duas vezes.

Então melhor não tentar provar nada, melhor deixar a mágoa tomar conta e quando for pra ir, que ela se vá. E se quiser ficar, não ligo. Se quer saber: tanto faz.

Já não tenho nada programado mesmo.

Eu que não vou mais forjar sorrisos com o peito doendo, só para ser mais um personagem feliz com quem você cruzou num dia de sol. Eu vou chover sempre que achar necessário, esvaziar o peito da dor que ficou.

Não vou mais tentar provar nada até porque não tenho condições emocionais para se quer, pensar em me por à prova.

Eu definitivamente preciso me cuidar mais.

Você pisou, me mostrou que não sou especial e que estou longe de ser única. Eu sinceramente preciso te agradecer por isso, eu já estava pensando que era sorte sua ter minha companhia, acabei por saber que o azar foi todo meu. Coloquei meus pés no chão.

Você me deixou cicatrizes e viver com cicatrizes é bem complicado. De tempo em tempo você esbarra em algo e ela acaba abrindo, sangrando, ferindo. E se quer saber: não tem cura. O jeito é ter cuidado. É como viver se desviando de quinas e objetos. Isso serve pra lugares, pessoas e principalmente pensamentos.




Aprendi a me desviar tanto que raramente, muito raramente sou notada ou noto alguém. Até vejo uns relances de longe, mas só. Sem interesse sem expectativas. Decidi que já doeu demais e que não quero mais isso. Já fiz meu papel de trouxa por alguém que amei, então por que a sorte da vez seria minha?

O destino não tem dó, mas tudo bem. Eu ainda estou em pé, magoada mas firme como uma rocha, ou tentando parecer. Sabe, isso pode parecer uma carta mimada, mas eu só queria mesmo é te dizer que não estou bem. E, sinceramente, não queria que você estivesse bem, até porque na verdade todos sabem… É nítido que eu não estou.

Mas, não vou mentir pra agradar, nem vou mentir pra me proteger. Não vou fazer com que você se sinta perdoado. Isso pode ser nobre, mas iria contra tudo o que alimento aqui dentro agora. E estou machucada demais pra me fazer de boa samaritana.

Eu sei que isso vai passar um dia, essa revolta que me faz querer quebrar seu carro ou quem sabe, suas pernas. Essa tristeza que me faz te querer… Um querer dolorido e sem uma gota de amor próprio. Sempre imaginando você me oferecendo colo no fim do dia… Ou então querendo estar no seu lugar, vangloriando-me por ter carimbado o atestado de besta na testa de mais um. É essa mistura de ódio, amor e pena de mim mesma que me mata.

Eu preciso acreditar que vai passar. Não dá pra construir uma vida desse jeito, remoendo o que já foi. E me recuso a terminar minha história assim, derrotada por você e pela sua infantilidade.

Hoje fiz da mágoa que você causou um escudo. Não consigo confiar, me aproximar ou pensar em deixar que alguém se aproxime… E se quer saber: não ligo e nem quero.

Isso tudo pode parecer frescura, mas apenas quem se entregou de verdade e viu seu amor com um nariz vermelho de palhaço jogado no lixo consegue sentir a dor que eu senti…  Apenas quem passou por isso conhece o eco que isso causa aqui dentro.

Eco esse que reflete completamente em quem me tornei.

Não estou pronta pra tentar de novo e não vou me forçar a isso pra te provocar. Agora sim, serei mais forte e melhor pra mim do que você foi.

O que eu quero mesmo, de verdade, é tocar a vida em paz esperando ou não que um dia essa enchente de mágoa passe. Aí a gente vê o que faz com o que restou.

Um dia vai chegar outra pessoa que vai mudar as coisas de lugar e me convencer de que o defeito era seu, só seu.

Talvez ele esteja por perto agora, tentando vencer o escudo que montei ou tentando me encontrar num dos desvios que armei.

Bem, ele que espere a vez.


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Enfim, eu também sou colunista de outros blogs! Então dá um pulinho lá para conferir: Que Me Transborde / Superela /  Recalculando a Rota.

Viviane de Oliveira Teixeira

Viviane de Oliveira Teixeira, mora em Ubá, interior de Minas Gerais.  Transfere para o papel tudo o que lhe inspira e lhe incomoda, sempre compartilhando com as pessoas, refletindo e buscando aprender cada vez mais.

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