Eu mudei para te esquecer

Então eu mudei. E muito. Não porque eu queria, mas porque foi preciso. Têm horas em que até chego a sentir saudades de mim, mas depois percebo que o caminho que tenho pela frente é bem mais tranquilo do que o trajeto de volta. Talvez foram as circunstâncias, as coisas, as pessoas, eu mesma, mas eu sei que alguma coisa me fez acreditar que aquele não era mais o meu destino e que eu precisava mudar. Mudar a forma como via o mundo, como via os outros e principalmente como eu me via.

Mudar nunca é fácil, mas certamente é uma tarefa muito particular. É uma batalha que travamos com a gente mesmo, com nossos sentimentos, com o mundo que imaginamos ser o real. É uma guerra contra aquilo que nos ensinaram e contra o que nós nos tornamos. Mudar cansa, desgasta, mas às vezes é a única forma de nos mantermos a salvo daquilo que nem sequer sonhamos em enfrentar.

Eu acredito que as grandes mudanças da vida acontecem nos momentos mais caóticos e difíceis, pois nos obrigam a olhar pro lado, pra perto, pra dentro. Mudar é para os fortes, é para os que não se conformam, para os que podem e merecem ser mais. Mudar de casa é fácil, mudar de roupa também, agora difícil mesmo deve ser mudar de alma, de sonhos, de vida. Abandonar o que mais se ama porque já não se é amado na mesma medida. Abandonar o que é certeza quando se está em busca das dúvidas… Difícil mesmo é mentir não amar quando tudo que se quer é não partir.

Acho que algumas mudanças nos são impostas e não temos como resistir. É gigante demais pros nossos ombros, pros nossos esforços. Há mudanças que nos mudam para sempre e deixam cicatrizes marcantes.

Eu mudei, não porque eu quis, mas porque a vida quis. Porque quiseram que fosse assim, porque a vida queria que eu me tornasse o que sou hoje: FORTE. E quando se tem um coração doce e terno, tornar-se forte é brusco, chega a ser quase cruel. Deixamos de sentir. Eu mudei porque as feridas que abriram se tornaram maiores que toda a alegria que um dia eu senti. Eu mudei porque cansei de esperar que as coisas e as pessoas mudassem.

Então decidi mudar a mim.




Hoje nada mais trago daquele tempo, só as lembranças e as histórias boas. O tempo se encarrega de organizar as coisas e o significado dos sentimentos, das pessoas que ainda restam. Hoje não tenho saudade daquele rosto sonhador que eu carregava, ele me trouxe muitas lágrimas e semblantes preocupados. Então eu decidi fazer o rascunho de uma nova vida, de uma nova pessoa, de um novo amanhã.

Mudar às vezes nos faz sair do nosso percurso e nos obriga a pegar outras rotas, descobrir novos olhares. Mas têm coisas que nunca mudam, têm histórias que nunca acabam. Tem dias que são vividos mesmo na escuridão da noite.  Tem sonhos que a gente sonha mesmo acordado. Tem coisas que nada e nem ninguém é capaz de mudar, nem as rotas, nem os ventos, nem o tempo.

A vida nos prepara para grandes perdas, mas nos perdemos por muito menos. A vida nos ensina tantas coisas, mas não ensina como levantar e seguir. A vida só nos obriga a mudar. E na maioria das vezes mudamos porque somos forçados. Temos que aguentar na carne e só sangrar por dentro.

Cada mudança que fizemos, cada escolha que tomamos, é um destino novo que damos para tudo aquilo que escolhemos viver e ser. Às vezes é inevitável querer voltar, querer acertar, mudar tudo outra vez. E às vezes são as mudanças dos outros que nos afetam, que nos abalam, que nos paralisam, que nos calam… E a nós só cabe aceitar.

E então, num dia desses qualquer, eu mudei. Mudei porque alguém não me incluiu nos seus planos, porque alguém não me incluiu na sua história, porque alguém sorriu sem mim. Mudei porque alguém mudou a direção do olhar. Mudei porque não tinha mais nada a se fazer.

Eu mudei porque te amar já não era o caminho certo e te esquecer era a próxima mudança que eu faria na minha vida.


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Então se você gostou desse texto da Gisele Ribeiro, deixe seu comentário <3 Enfim, tenho certeza que você vai AMAR esse texto também: Eu não guardo mágoa.

Eu também sou colunista de outros blogs, dá um pulinho lá para conferir textos ainda mais lindos: Que Me Transborde / Superela /  Recalculando a Rota.

Gisele Ribeiro

Gisele Ribeiro, Gaúcha - Gremista - Escorpiana. Jornalista e Relações Públicas, mora em Caxias do Sul, RS. Apaixonada por livros, música, poesia, chimarrão e cachorro. As coisas simples a encantam e as palavras a transborda.

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