Ela superou a insegurança

Ela superou a insegurança

Eu sempre a vi como uma garota insegura.

A maneira como ela se esquivava das pessoas, como seu olhar passava por tudo e por todos… E o modo como ensaiava mil vezes uma simples ida ao mercado. Ela fazia planos de fazer compras o mais rápido possível, por puro medo de como seria olhada pelos outros. Ela tinha medo do julgamento alheio.

Ela já tinha deixado de ir a algumas festas por se sentir feia, por trocar diversas vezes de roupa e mesmo assim não se sentir bonita o suficiente.

Já pensou em cortar o cabelo, mas se imaginou de cabelo curto e decidiu que estava melhor do jeito que estava.

Ela pensou em fazer aquelas maquiagens dos tutorias da internet, mas logo passou pela sua cabeça que seu rosto não ficaria bonito, que seu olhos eram pequenos ou que a sua boca era grande demais.

Pensou em trocar o tênis por um salto apenas por um dia, mas lembrou-se de como era desengonçada e como parecia estranha em cima de um. Preferiu sair com o tênis mais uma vez.

Olhou para o carinha da faculdade, suspirou pensando em como ele era lindo. Desviou o olhar ao perceber que foi notada. Concluiu que ele, provavelmente, estava odiando ser notado por ela… Afinal de contas, o que um cara lindo como aquele iria querer com ela?

Pegou seus livros e foi se isolar na biblioteca da faculdade. Ajeitou seus óculos e pensou em ler um romance para distrair seus pensamentos. Mas do que adiantaria, se sua cabeça ainda estava nele, pensando na maneira como ele mexia no cabelo quando estava com vergonha, ou como o sorriso dele se desenhava ao rir de uma piada (que ela torcia muito que não fosse sobre ela).

Lembrou-se do dia em que trombou com ele no corredor e saiu correndo sem nem deixá-lo abrir a boca. Pensou na maneira como se culpou por ter feito isso.

Por que ela não podia ser como as outras garotas que agiam sempre naturalmente?! Por que ela não podia jogar um charme e quem sabe sorrir para ele?




Só que ela não fazia ideia da maneira com ele a enxergava… Ele a observava de longe, sempre tão linda com os cabelos soltos… Ele gostava quando ela tirava alguns fios do rosto, porque eles atrapalhavam o sorriso. Um sorriso tão lindo quanto raro.

Ele lembra do dia em que a encontrou na rua com um cachorrinho, parecia tão natural, tão diferente da menina que parecia fugir das pessoas e até dela mesma.

Ele quis dizer um Oi, quis perguntar o nome do cachorrinho, quis bater um papo e conhecer esse lado maravilhoso dela que ela própria desconhecia.

Ela o viu de longe e sorriu. Por instantes ele admirou o sorriso mais lindo do mundo. Acenou para ela. Riu da cara de dúvida que ela fez, como se o aceno não fosse para ela.

A partir daquele momento, ela meio que abriu um espacinho para ele. Não fugia mais quando o encontrava nos corredores, nem fugia quando ele pedia o caderno emprestado. E, por incrível que pareça, depois de alguns dias ela estava respondendo ao seu Oi.

Quem era aquela menina linda que se escondia do mundo?

Quem era aquela menina que aos pouquinhos ia tomando conta de tudo o que a ele pertencia, inclusive o coração?

Em um ato de coragem, ele mandou flores para ela. E num papel de carta escreveu a pergunta que rondava os seus pensamentos havia muito tempo… Perguntou se ela aceitaria jantar com ele.

A resposta veio rápida. Um “sim”.

Lá do outro lado da rua, em um quarto cheio de livros, ela já se arrependia.

Será que ele ia gostar dela?

Será que ele aprovaria a sua roupa?

Como arrumaria o cabelo?

Como disfarçaria o nervosismo por estar com o cara que tanto gostava?

Às vezes ela passava batom e se sentia tão bela, mas não demorava muito para começar a se odiar… Queria tanto se amar, como todas as garotas, parecia tão fácil, mas não conseguia.

Ela se arrumou como pode, tentou colocar o principal e mais lindo sorriso no rosto, tentou controlar a ansiedade que sentia. Ao abrir a porta e vê-lo bem à sua frente, foi difícil controlar a vontade de beijá-lo ali mesmo.

Tudo foi tão incrível e leve que ela não queria que acabasse. Ele fazia ela se sentir livre e leve, fazia com que todos os medos e inseguranças fossem embora. Ela sentia vontade rir o tempo todo, ele a aceitava daquela maneira, do jeito como ela era.

Pela primeira vez ela entendeu o real significado do primeiro beijo. Não foi esquisito, não foi ruim, pelo contrário, teve a total certeza que queria repetir o dia todo, cada minuto e instante.

O amor dele fez com que ela acreditasse e que podia sim enfrentar os julgamentos alheios sem medo. Ela entendeu que podia sim usar a roupa que quisesse ou o batom que sentisse vontade.

Ela podia continuar sendo a garota dos livros e continuaria linda.

Ele fez ela sentir o amor próprio e a segurança que ele trazia consigo.

Fez ela perceber que para ser amada, ela precisaria se amar, se descobrir e se permitir. Permitir ser ela mesma, permitir beijos, permitir o amor.

Através dele, ela se descobriu. Nele ela encontrou o que há tanto tempo havia perdido: O motivo para sorrir e se libertar daqueles medos bobos.

Ele fez com que ela mostrasse seu verdadeiro lado, aquele desengonçado, aquele que amava romances. Aquele lado que ninguém via porque ela escondia sob muitas camadas de insegurança.

Mas agora ela descobriu o amor próprio. Esse amor revelou o seu lado mais belo…  E, incrivelmente, as pessoas o amaram.


Deixe sua opinião, conte sua história ou seu desabafo nos comentários abaixo, vou respondê-los com todo carinho, afinal de contas todos nós temos as nossas doçuras e amarguras dentro do coração <3

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Enfim, eu também sou colunista de outros blogs! Então, dá um pulinho lá para conferir: Que Me Transborde / Superela /  Recalculando a Rota.

Bia Civa

Bia Civa, 19 anos, mora em Mato Castelhano/RS, canceriana, apaixonada por livros, música e violão, gosta das coisas simples da vida, um abraço apertado, um perfume, um beijo ou até mesmo um aperto de mão.

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