Calma, isso é só insegurança de recomeçar

Calma, isso é só insegurança de recomeçar

Hoje eu senti uma insegurança que há tempos não sentia. Um medo de tudo, principalmente de recomeçar. São tantas perguntas sem respostas, tantos sonhos sem nexo e uma vontade louca de sumir. Começar nunca foi o meu forte e terminar muito menos. Mas agora que você se foi, tudo mudou por aqui. O que antes era certeza virou interrogação e o que era “para sempre” virou “para sei lá quando”. Recomeçar sem você aqui dá uma insegurança danada.

Depois de um amor o que sobra são as lembranças, as memórias, os quadradinhos de algo bonito que se viveu. Depois de um amor ficam as coisas não ditas, os silêncios não oferecidos, os abraços desviados. Depois de um amor vem a insegurança de começar de novo. Começar tudo de novo. Arrumar os livros de forma que não me lembrem você, escolher melhor os figurinos pra não encontrar seu perfume neles. Mudar os lugares para não encontrar o seu olhar. Mudar de cara pra não ficar muito visível a tristeza que certamente você deixou.

É difícil lidar com a insegurança que vem junto com a obrigação de recomeçar. É estranho falar com outro alguém que não seja você. É estranho falar sobre mim com alguém que acabei de conhecer. Sinto-me insegura em falar sobre minhas neuras e dificuldades. Sinto-me insegura porque não é mais você que vem me buscar depois do jantar com as minhas amigas. Sinto-me insegura em relação a tudo que você deixou no meu coração.

O que eu faço com seu sorriso que invade a minha mente? O que eu faço com as semanas que choro por ter recaídas? O que eu faço com esse medo que você deixou de eu nunca mais encontrar alguém para amar?

Eu me sinto insegura sem sua mão pra me abraçar e sem o seu olhar pra me defender. Eu me sinto insegura sem você. O que vou comer quando eu for naquele restaurante? Afinal de contas, era sempre você que pedia as coisas mais deliciosas. Eu me sinto insegura sem o seu abraço e sem tudo de você na minha vida, embora eu saiba que existe vida sem você.

Você era minha segurança. Você dava sentido às minhas inquietações, você me ajudava a desatar os nós dos meus pensamentos. Você dava paz ao meu coração. E agora? O que vai ser dessa pessoa que você deixou?




É tão estranho ir nos lugares e não ter você assim ao meu lado, não ver seu carro parando na frente da minha casa. É estranho não ouvir sua voz e nem ter suas mensagens no meu celular. É tão estranho não ter mais você. Eu me sinto insegura no mundo que você construiu pra mim… Na estrada que você me mostrou ser a correta, apesar de não ser.

Eu me sinto insegura sem ter pra onde olhar e ter certeza de algo. Eu me sinto insegura com o mundo que agora eu tenho que enfrentar sozinha, sem você. Eu me sinto insegura sem o tempo que a gente ganhava sempre perto um do outro.

E agora? Que roupa usar? Que sorriso abrir? Que palavras realmente ouvir? Você não está aqui para me ajudar. Você não está. E a insegurança é só mais um dos fantasmas que a tua ausência deixou na minha vida, no meu sofá e no meu coração. Então vem o medo de não amar de novo, de não ser feliz, de não conseguir superar, mas isso tudo faz parte. Parte do pacote de dor que você deixou nos meus olhos quando me disse que NÃO.

Apesar de tudo, eu sei o que causa a insegurança de seguir em frente, em conhecer pessoas, em se apresentar num outro mundo. A insegurança é só o medo de não dar certo outra vez, de sofrer outra vez, de errar outra vez. Medo de perder outra vez, de se despedir outra vez, de ser magoada outra vez.

A insegurança é só nosso coração dizendo: “Não se joga, não vai lá, não pisa fundo, não gosta tanto, não sonha muito.” A insegurança é só nosso pensamento torcendo pra que nada dê errado, pra que nada saia fora do combinado, pra que nada fuja do nosso controle. A insegurança é só nosso coração dizendo que tá cansado de sentir saudades, que tá cansado de arriscar, que tá cansado de amar e que tá cansado de começar tudo outra vez.

Enfim, insegurança é só a gente se defendendo da gente mesmo, das nossas feridas, das nossas cicatrizes. A nossa insegurança é só o medo de passar por tudo de novo, de reviver a mesma história, de dar replay nas mesmas cenas tristes, de perder o que custamos tanto a ganhar. É o medo de amar e ver que pode não ser amor de novo… E que a gente vai ter que voltar pro ponto de largada outra vez.


Deixe sua opinião, conte sua história ou seu desabafo nos comentários abaixo, vou respondê-los com todo carinho, afinal de contas todos nós temos nossas dores e doçuras emocionais <3

Então se você gostou desse texto da Gisele Ribeiro, deixe seu comentário <3 Enfim, tenho certeza que você vai AMAR esse texto também: Eu não guardo mágoa.

Eu também sou colunista de outros blogs, dá um pulinho lá para conferir textos ainda mais lindos: Que Me Transborde / Superela /  Recalculando a Rota.

Gisele Ribeiro

Gisele Ribeiro, Gaúcha - Gremista - Escorpiana. Jornalista e Relações Públicas, mora em Caxias do Sul, RS. Apaixonada por livros, música, poesia, chimarrão e cachorro. As coisas simples a encantam e as palavras a transborda.

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