Um dia a dia ansioso

Um dia a dia ansioso

Tem dias que ela nem aparece. Vivo minha vida, faço minhas coisas. Fico com os dois pés no presente, sem ficar imaginando que cada uma das minhas ações vai me trazer algo no futuro. Eu sei que vai acontecer, mas nos raros dias “bons”, simplesmente não penso nisso… Faço minhas tarefas diárias sem que a onda magnânima de consequências futuras fique pesando sobre minha cabeça e afundando minha vontade de me mover.

Ela fica lá na dela, adormecida, meio que decidindo me dar uma folga, algo como: “você merece, mas só hoje”. Ela sabe que eu vou aproveitar. Sabe que eu vou viver meu dia sem ter surtos que vão me deixar mal e ofegante. Ela vai me dar esse tempo, essa folga, mas eu sei que não vai durar muito, por isso eu sorrio e aceito o presente. É meio a contragosto, obviamente. Adoraria vê-la partir, mas é sempre melhor se contentar com o que é possível para nós.

Há dias, no entanto, que ela é cruel. Me ataca friamente e decide que eu não vou ter um dia calmo… Que meu peito vai ficar pesado, com uma constante sensação de sufocamento. Não consigo agir como se o futuro fosse daqui uns meses ou alguns anos. Para mim, qualquer uma das minhas ações vão resultar em consequências imediatas… E eu, simplesmente, não consigo lidar com esse fato. Me machuca. Me dói.

A ansiedade faz com que meu coração acelere, meu estômago passe o dia embrulhado. E cada vez que o telefone toca, uma pequena onda de choque percorre meu corpo em uma sensação indescritivelmente ruim. Um frio sobe pela espinha… Tudo que eu penso é que, agora, vou pegar o celular nas mãos e as consequências pelos meus atos vão começar a surgir. Me retraio. Respiro mal, respiro como se já não lembrasse como respirar. Me sufoco e as lágrimas aparecem. Tive uma crise.




Não é como se ela me incapacitasse tanto assim. Eu ainda consigo fazer todo o programado, mas é mais difícil. É complicado agir com mãos tremendo e coração acelerado. Meus olhos pesam e a respiração fica ofegante como se eu tivesse corrido uma maratona. Eu me forço a continuar, a lutar, me forço e passar pelos dias mesmo com ela pesando sobre mim.

Eu não sei o que faz com que ela apareça. Ela apenas entra sem bater e faz morada como se eu inteiro fosse propriedade dela. Teimosa e mandona, age como se fosse a dona de tudo aqui dentro… Ela não permite que minhas opiniões sejam ouvidas, nem meus pensamentos sejam, sequer, alternativa. É como se eu tivesse ganho um chefe mandão que decidiu que eu sou obrigado a trabalhar sem ser ouvido.

É complicado quando parece que você tem mais alguém dentro de si. Por vezes não parece que você tem livre arbítrio. Por vezes parece que as coisas estão prestes a explodir como uma bomba atômica e que você é o epicentro de um tremor que não passa, só aumenta.

É complicado viver preso dentro de si mesmo com seus pensamentos tentando te sabotar… Tudo que você faz é não pirar com tamanha pressão e com a enorme quantidade de coisas que passam na sua cabeça sem pedir licença.

E nessa onda insana de pensamentos que quase transbordam, nesse turbilhão de sentimentos que acabam por me colocar em um estado de inanição emocional, só consigo pensar que as coisas poderiam ser mais simples, mais bonitas, mais leves. Eu não tenho tempo para me ater a isso, tampouco ânimo. Tenho é um monte de coisas acontecendo ao mesmo tempo dentro de mim e eu aqui, sozinho, tentando fazê-las parar.

Tem dias que a ansiedade é como um velho amigo trazendo notícias ruins. Tem dias que ela é um torturador de guerra que te amarra na cadeira e passar horas te jogando água fria para te manter acordado. Tem dias que é somente uma lembrança que teima em voltar à mente. Tem dias que eu gostaria que ela não fosse nada, mas outros ela teima em lembrar que ela tem sido muito por aqui.


Deixe sua opinião, conte sua história ou seu desabafo nos comentários abaixo, vou respondê-los com todo carinho, afinal de contas todos nós temos nossas dores e doçuras emocionais <3

Então se você gostou desse texto do Andrei Santos, deixe seu comentário <3 Enfim, tenho certeza que você vai AMAR esse texto também: Ele perdeu oportunidades.

Eu também sou colunista de outros blogs, dá um pulinho lá para conferir textos ainda mais lindos: Que Me Transborde / Superela /  Recalculando a Rota.

Andrei Santos

Jornalista gaúcho de 26 anos, apaixonado por contar histórias e por tê-las sendo ouvidas por alguém. Um dos últimos românticos que já parou de acreditar algumas vezes, mas que sempre acaba por voltar e perceber que, mesmo que a gente queira, não tem muito o que fazer quando se nasceu para ser feito de amor.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *