Sim! Eu vivi um relacionamento abusivo

Sim! Eu vivi um relacionamento abusivo

Sim, você abusou do meu coração, da minha alma, do meu corpo e de todo sentimento que um dia eu dediquei a você. E sim, eu vivi um relacionamento abusivo. Não daqueles que deixam cicatrizes físicas, mas que deixam marcas emocionais profundas… Marcas que fazem a gente desistir de amar.

As tuas ligações nunca foram para saber se eu estava bem, mas sim para controlar onde e com quem eu estava. Eu não escolhia meus amigos, eu era amiga de quem você achava mais conveniente… Não conveniente para mim, e sim para você. Você roubou meus sonhos, minha juventude, minha alegria de viver. Você apagou o pouco de esperança que eu buscava recuperar a cada dia.

Você era egoísta e pensava só nas tuas vontades. As minhas vontades e os meus sentimentos já não tinham mais importância alguma. Você queria que eu fosse diferente em tudo, na forma de falar, de me vestir e de ser. Você queria que eu me enquadrasse no padrão de namorada que sua família criou pra você. Mas eu nunca fui de viver em padrões, sempre fui eu mesma.

Eu era a sua namorada e você era de todas. Eu ficava em casa na sexta à noite, você ficava por aí. Você falava comigo quando precisava de algo e eu precisava de você sempre. Você tinha sua vida, eu tinha minha vida junto da sua. Você odiava os lugares que eu amava, e não porque éramos ou pensávamos diferente, mas para me contrariar mesmo.

Você tinha seus amigos e eu tinha a mim mesma. Você me via no domingo e eu queria ir ao cinema na terça à noite. Você queria que eu fosse sua e eu queria ser de um mundo onde você estivesse incluso. Você não era meu mundo, mas fazia questão de me fazer viver desse jeito.

Pra você eu era sempre a errada, a que tinha ideias ousadas e pensamentos liberais demais, mas na verdade eu só tentava trazer a minha liberdade, o meu mundo e o que eu tinha construído até então para perto de mim outra vez. Eu nunca fui “boa” o suficiente pra você. E olha que eu estava muito à frente de você em muitas coisas. Eu não era boa pra sua família, não era boa pra sociedade que você tanto queria viver. É, eu não era boa mesmo.

No início você foi um príncipe, depois se transformou num problema que eu já não sabia mais como resolver. Você me fez sofrer, você fez a minha família sofrer, você virou meu mundo de pernas pro ar. Livrar-me de você passou a ser a minha guerra e, acredite, foi preciso intervenção divina para que isso acontecesse.




Aquilo já não era amor. Você não me amava, você queria me possuir, me ter como uma bonequinha na estante. Tenho certeza de que o que você sentia era um amor doente… Um tipo de “amor” que no fim de tudo me deixou doente também.

Você me fez perder tempo com suas criancices, com sua imaturidade, com seu coração egocêntrico. Você me fez parar de te amar e te querer por perto. E quando tudo teve um fim, você me seguia pelas ruas, pelos lugares onde eu ia. E ao invés de me inspirar vontade de reatar, você me provocava medo. Eu passei a fugir de você, passei a fugir das coisas que aquele sentimento maluco me causava. Eu fugia de quem um dia eu havia escolhido para ser meu.

Ninguém entende a dor, o esforço enorme que se precisa fazer pra fugir e sair de relacionamentos assim. Mas o tempo nos ensina, nos abre os olhos, nos faz permitir olhar pra tudo com mais clareza e sabedoria. A gente passa a entender que o amor de verdade quer a gente livre e bem. Não importa de que lado vamos estar. Eu sofri um relacionamento abusivo… Abusivo com as minhas emoções, com meus sentimentos, com meus valores. Vi muita gente sofrendo junto comigo.

Esse laço doentio precisa ser desfeito por nós mesmos. Às vezes nos falta força, pois lutamos tanto pra consertar as coisas que nossos braços já não aguentam mais se esticar.

Eu sofri um relacionamento que, mesmo depois de todas as despedidas, ainda faz estragos nas minhas relações atuais. As lembranças me perseguem e as dores de vez em quando ainda batem. Ninguém é o mesmo depois de ter seu coração violentado, sua estima violentada, seu pilar desmoronado.

Mas hoje, depois de tanto tempo, eu consigo olhar pra tudo aquilo com indiferença. Não sinto nada, apenas desejo de que você e tudo aquilo fiquem bem longe de mim. Bem longe do que eu construí depois que consegui te tirar da minha vida. Hoje ainda encontro vestígios de tudo aquilo. As cicatrizes estão por toda parte e eu tento sempre seguir em frente, por algo, por alguém ou por mim mesma.

E depois de tudo eu reconstruí meu mundo, reconstruí meu caráter, reconstruí o lugar que eu queria viver junto das pessoas que eu amo.  Depois de tudo eu percebi que eu mereço mais do que tudo aquilo que você me ofereceu. Depois de você eu entendi meu valor e o quanto eu merecia um lugar especial neste mundo e no coração de alguém. Depois de você eu me tornei uma pessoa melhor apesar de todo mal que você me causou.

E pode acreditar, eu me sinto uma pessoa forte, porque apesar de tudo que passei e vivi, eu ainda carrego dentro de mim a vontade de ser feliz e ser amada por completo, sem ter que passar por nada daquilo outra vez. Eu sou forte porque não perdi a capacidade de amar e de sonhar. Não me tornei aquilo que tanto me feriu.


Deixe sua opinião, conte sua história ou seu desabafo nos comentários abaixo, vou respondê-los com todo carinho, afinal de contas todos nós temos nossas dores e doçuras emocionais <3

Então se você gostou desse texto da Gisele Ribeiro, deixe seu comentário <3 Enfim, tenho certeza que você vai AMAR esse texto também: É hora de mudar de vida

Eu também sou colunista de outros blogs, dá um pulinho lá para conferir textos ainda mais lindos: Que Me Transborde / Superela /  Recalculando a Rota.

Gisele Ribeiro

Gisele Ribeiro, Gaúcha - Gremista - Escorpiana. Jornalista e Relações Públicas, mora em Caxias do Sul, RS. Apaixonada por livros, música, poesia, chimarrão e cachorro. As coisas simples a encantam e as palavras a transborda.

2 comentários em “Sim! Eu vivi um relacionamento abusivo

  • 8 de julho de 2018 em 21:27
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    Muito emocionante o seu relato, me identifiquei principalmente com esse medo que ainda fica depois, o que leva a ter uma certa resistência com os relacionamentos novos. Bom, vou contar a minha história também e desabafar um pouco aqui. O relacionamento abusivo que sofri é estranho, porque foi tudo pela internet, mas foi algo que realmente me abalou por muitos anos. Quando eu tinha 13 anos conheci um garoto no msn, ele de outro estado e logo pediu para namorar comigo virtualmente. Eu era bem criança e fazia muito isso só para me divertir, então depois de conversar bastante com ele eu acabei aceitando. Comecei a gostar dele e acabou que foi virando mais que um namoro virtual para mim, porque eu já tinha vontade de conhecê-lo de verdade, e ele sempre era sério sobre isso também. E aí começou a parte em que tudo fica errado, porque relacionamento abusivo sempre é uma maravilha no começo, né? Ele começou a me afastar dos meus amigos, porque sempre queria que eu ficasse conversando com ele o tempo todo (seja pelo msn, facebook, mensagem), não gostava das conversas que eu tinha com minhas amigas (ele insistia para ter minhas senhas), e nenhum colega podia conversar comigo também que isso logo virava uma briga. Ele me ligava dezenas de vezes por dia, se eu não atendesse, até eu finalmente atender. Eu não podia demorar mais de um minuto para responder às mensagens, não podia sair um pouco das redes sociais para ler um livro ou ver televisão, tinha que estar o tempo todo dedicando minha atenção a ele. Ele acessava meu computador através de um programa que eu deixava ele usar no meu computador, e era o tempo todo desconfiado. Tudo que eu fazia era motivo para ele achar que eu não gostava mais dele ou que estava traindo, e quando eu reclamava disso ele contava histórias da vida dele dizendo que foi traído pela ex-namorada e por isso era desconfiado, e falava que a família toda dele o maltratava. Ele se irritava facilmente e principalmente quando eu não queria fazer algo que ele pedia. O maior dos motivos era fotos minha nua. Como a gente namorava pela internet, ele precisava ter muitas fotos minhas e isso incluía as fotos picantes também. Só que eu era bem nova, nem sentia muito interesse sexual nessa idade, e também não me sentia bem com meu corpo (eu era gordinha e com a autoestima muito baixa, acho hoje que é por isso que me sujeitei a isso tudo), então eu sempre negava e ele me falava muitas grosserias por isso. Lembro até hoje de uma frase que ele falou. Eu acabei concordando em mandar fotos nuas, porque ele insistia muito, só que depois eu desisti depois que as tirei, aí ele disse “que desgraça, se não vai mandar porque fala então?”. E eu me senti um lixo, um objeto. Ele nunca ouvia um não, e quando a gente falava como seria fazer sexo (porque ele sempre queria ter conversas assim), ele queria tudo do jeito dele, mesmo que eu dissesse que era errado ou que não gostava. Ele era muito controlador, e um dia inclusive me tratou muito mal porque fiquei algumas horas fora da internet (foi o dia que eu tirei para descolorir os pelos, tomar banho, depilar, fazer as unhas), sendo que eu tinha avisado, e falou que eu estava fazendo ele de bobo. No fim, dois anos depois eu comecei a ter problemas em casa, com meus pais se separando, e decidi que esse relacionamento não podia ser mais um. Eu queria estudar, fazer faculdade, sair de casa, ter uma vida boa e vi que aquilo não estava me fazendo bem, não estava mais nos meus planos. Decidi terminar com ele e ele já veio me acusando de estar namorando outra pessoa, então eu bloqueei e começou o inferno. Quando entrei de novo no Facebook, vi que minha conta tinha sido hackeada, e ele tinha ido se desbloquear. Ficou muito irritado e passou então a tentar me fazer mudar de ideia. Ele falava que ia se suicidar, que ia sumir, e eu me senti culpada e aceitei voltar com ele. Mas aí ele continuava a ser grosseiro, manipulador, controlador, eu não aguentei e bloqueei de novo. Dessa vez eu não voltei com ele, e ele passou a me perseguir cada vez mais. Criava várias contas para poder conversar comigo no Facebook, falava que ia mudar, mas ao mesmo tempo dizia que não tinha feito nada de errado, e então quando eu ignorava ele começava a me maltratar. Ele descobriu o SKOOB, uma rede social de livros, e passou a deixar muitas mensagens lá, e eu não conseguia bloqueá-lo lá porque o site não tem essa opção, e no Facebook deixava mais de setenta mensagens por dia. O tempo todo ele insistia, e me agredia quando via que eu não cair no papo dele. Ás vezes eu tentava conversar e fazer entender que não dava mais, mas ele só fingia que ia me deixar em paz e depois voltava a me perseguir. Eu tinha medo, porque ele dizia que ia vir na minha casa e que todo mundo ia saber sobre esse namoro (eu não tinha contado para ninguém). Eu não podia pedir ajuda para ninguém porque minha família sempre me alertou sobre conversar com estranhos na internet, e que ainda estava tendo esses problemas em casa, eu não podia atormentar ninguém com os meus. Ele continuou me perseguindo assim por um ano e seis meses mais ou menos, e eu acho hoje que eu devia ter só excluido tudo, mas na época eu só tinha a internet, porque me sentia muito sozinha, então as redes sociais me ajudavam porque eu podia conversar com outras pessoas, leitores de livros e coisas do tipo. No fim eu não aguentei mais e mandei uma mensagem para todos os amigos dele no Facebook, contando que ele não me deixava em paz e pedindo para que eles o aconselhassem. Para você ter uma ideia, até acusar uma amiga de fazer macumba para nós ele acusou, dizendo que ela queria ficar com ele e por isso fez macumba para nos separar e funcionou! Ele ficou muito bravo, e as pessoas e a família dele começaram a zoar com ele, brigar, e ele veio falar para mim que não precisava de eu ter feito isso, que eu devia ter conversado com ele! Achei um absurdo porque eu tentei sim conversar com ele várias vezes. Mas ele não aguentou, o pai dele brigou muito com ele, e resolveu me deixar em paz não sem antes deixar mais um monte de mensagens falando de novo que eu estava perdendo, que nunca ia encontrar ninguém que me fizesse tudo que ele ia fazer, que nenhuma outra ia ter o que ele ia me dar. Tudo acabou, e hoje fiz outro facebook e bloqueei ele já, e penso que vou excluir tudo se um dia ele voltar. Moro em outra cidade, tenho outro número, e vou sempre contatar a família dele. Não deixo mais ele me aterrorizar, apesar de que ainda sinto medo de ter um novo relacionamento e ele vir falar alguma coisa para meu namorado. Mas estou lutando contra isso, porque não posso continuar vivendo com medo. Seu relato me deu muita inspiração, e agradeço por conceder esse espaço para o meu.

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