Eu não te quero mais

Eu não te quero mais

Quando tudo começou eu não pensava no nosso relacionamento como algo pesado e insustentável. Durante toda a nossa história, jamais passou pela minha cabeça que você me machucaria ou me deixaria com tantas lembranças ruins. Hoje essas palavras ainda soam pesadas demais e eu ainda me culpo por te descrever dessa forma.

Tudo começou com um tímido “Oi”. Eu te olhei e vi em você a chance de aprender a amar, como se isso fosse um item de uma lista enorme de coisas a se aprender. Nossos encontros eram divertidos, meus olhos brilhavam ao falar de você para as pessoas. Eu meio que sentia orgulho de fazer parte da sua vida.

Às vezes você dificultava as coisas, mas eu achava que isso era bobagem da minha cabeça. Pensei que eu poderia levar tranquilamente o fato de você não querer sair, o fato de você não querer que eu chegasse perto dos seus amigos, o fato de você não me deixar comprar roupas para ficar “ainda mais bonita que as outras”.

Lembro bem da primeira vez que fui até a sua casa, um domingo de manhã. Eu estava extremamente nervosa, pois pensava que sua família não me acharia perfeita, assim como você nunca me achou. Que bobagem a minha, perfeição é algo que eu nunca pretendi, mas você me fez pensar que eu deveria ser perfeita.

Lembro-me de quando fui dormir na sua casa, um passo importante num relacionamento. Ali eu te conheci de uma forma que não imaginava conhecer. Conheci a pessoa que não se encaixava naquele meu mundinho de paixão. Conheci você de verdade. Descobri que eu gostava de alguém que eu havia inventado.

Você não veio me buscar. Uma hora inteira dentro de um ônibus, porque meu namorado tinha preguiça de ir me buscar. Reclamei? Não! Você me buscou na rodoviária. O silêncio agora já era algo comum entre nós, já não havia risos nem conversas bobas, apenas o silêncio de quem sabia que não daríamos certo.

O porquê de continuarmos com aquilo eu nunca descobri.

Você tinha jogo de futebol à tarde, pensei que seria divertido sair da mesmice e ir junto com você. Eu fui? Não! Fiquei na sua casa porque segundo você, haveria muitos garotos sem camisa e supostamente você confiava em mim, mas não nos seus amigos. Supostamente.

Eu já sentia vontade de voltar para casa, ficar no meu quarto e riscar o seu nome da minha lista de desejos. Pensei que as coisas podiam melhorar e que talvez não fosse tão ruim assim dormir na sua casa.

Você voltou todo suado, não quis que eu te abraçasse, como se eu realmente me importasse com isso. Seus pais iam sair à noite e ficaríamos sozinhos. Senti medo. Não de você, nem de mim, mas daquelas paranoias que rondavam minha cabeça.




Discutimos. Discutimos de novo. E mais uma vez. Chorei. Você achou fofo. Eu queria ir embora. Mas como? Você não me pediu desculpas, mas conversou comigo como se nada tivesse acontecido. E por achar que te amava, te perdoei. Te dei um beijo de boa noite e subi pro quarto. Você ficou com aquela cara fechada, como se eu não fosse o suficiente para animar o seu final de semana.

Dormi chorando e desejando estar em casa, longe de você e longe desse seu sorriso que me fazia te perdoar por todas as palavras que me machucavam tanto. Voltei para casa em silêncio. No seu carro tocava uma música baixinha, o clima estava estranho fora e dentro do carro. Tentei pegar na sua mão, uma, duas e até três vezes. Perguntei o que estava te chateando. “Nada” foi a resposta que recebi.

Pedi pra você descer do carro e dizer oi para os meus pais (como se fosse algo a se pedir). Você disse que tinha que voltar para assistir o jogo, me deu um beijo rápido e foi. Não disse que me amava, não me agradeceu pelo final de semana, nem sequer olhou para trás. Fiquei olhando você ir, e mesmo sem imaginar, eu já sentia que não continuaríamos juntos.

Durante a semana conversamos normalmente, como todos os dias. No sábado eu iria pra sua casa novamente. Sairíamos juntos e isso me animou. Novamente coloquei meus sentimentos debaixo do tapete e decidi ir. Você disse que eu teria que estar linda. Pesquisei um jeito de arrumar meu cabelo como você gostava. Arrumei a mochila, coloquei as roupas dentro, usei aquele perfume que você tanto gostava.

Olhei para o celular, tinha uma mensagem sua me esperando. Imaginei ser um recado seu no meio da tarde dizendo que sentia minha falta, mas me enganei. Li a mensagem diversas vezes. Meus olhos se encheram de lágrimas e ali naquele momento caiu a minha ficha. Você jamais me mereceu. Você não me ensinaria a amar, porque o sentimento que você me deu estava longe de ser amor.

Naquela mensagem você terminou nosso namoro. Terminou nosso relacionamento por uma mensagem de texto, porque não teve coragem de olhar nos meus olhos e dizer que não me amava. Eu pedi pra você pensar, implorei para voltar atrás. Sua resposta foi curta e decisiva: NÃO.

Eu chorei muito, chorei tudo o que tinha para chorar. Chorei o que eu havia escondido durante tantos meses e doeu, doeu muito. Doeu porque eu sabia que a culpa também era minha. Minha por ter me permitido viver um relacionamento como esse.

Mas passou. Em mim ficaram algumas cicatrizes, mas eu decidi não te odiar. Você não despertou em mim o amor, nem o contrário dele. Eu desejo sua felicidade. Você não é um cara ruim. Imaturo sim, ruim não.

Um mês depois você me pediu pra voltar. Você finalmente me pediu aquela desculpa que eu esperei desde a nossa primeira briga. Eu apenas sorri e disse tudo bem.

Você achou que eu voltaria pra você. Mas não. Eu procuro amor. E amor você não tem para me oferecer.


Deixe sua opinião, conte sua história ou seu desabafo nos comentários abaixo, vou respondê-los com todo carinho, afinal de contas todos nós temos as nossas doçuras e amarguras dentro do coração <3

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Enfim, eu também sou colunista de outros blogs! Então, dá um pulinho lá para conferir: Que Me Transborde / Superela /  Recalculando a Rota.

Bia Civa

Danúbia Civa, 21 anos, mora em Mato Castelhano/RS. Gosta dos romances mais doces e dos livros mais clichês. Apaixonada por sentir ao extremo, de preferência o amor. Gosta de sonhar, das coisas mais simples e dos perfumes mais marcantes. Uma garota clichê que adora viver, ler e escrever romances.

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