Sobre a exposição de relacionamentos nas redes sociais

Sobre a exposição de relacionamentos nas redes sociais

É fato que as redes sociais se tornaram uma extensão da vida real.

Acessar a timeline é mais ou menos como sentar numa roda de amigos para jogar conversa fora, saber as novidades e falar sobre todo tipo de assunto. Aproveitamos o momento para “falar mal” daquela pessoa que a gente detesta ou “trocar olhares” com alguém que está mexendo com os nossos sentimentos. É como a festa mais importante do ano: Você quer vestir a sua melhor roupa e passar o seu melhor perfume. Você quer chamar a atenção de todos e mostrar o quanto você é uma pessoa “extremamente interessante”.

As redes sociais são o reflexo do que há de pior e melhor no coração humano. Elas fazem parte do mundo das aparências, do status e da superficialidade, apesar de possuírem também tantas utilidades, como a manifestação de opiniões ou a abertura de debates extremamente interessantes para o nosso crescimento pessoal.

Quando falamos sobre esse excesso de exposição de relacionamentos (principalmente os amorosos) nas redes, estamos falando de carência afetiva. Falamos de vaidade exacerbada, tristezas ocultas, solidões incuráveis, imaturidades e… Por que não dizer: Infantilidades?! É natural que a gente goste de transbordar nossas alegrias… Isso faz parte da vida, mas há que se tomar muito cuidado para não perder a medida.

Acho importante a gente se fazer a seguinte pergunta: POR QUE PRECISO TANTO MOSTRAR AOS OUTROS O QUANTO SOU FELIZ E AMADO E REALIZADO E LINDO E FODA E SEXY E INTELIGENTE E DONO DE UMA PERSONALIDADE FORTE E BLÁ BLÁ BLÁ?!

A resposta pode te assustar…

No fundo somos crianças travestidas de adultos. Normalmente as crianças querem sempre ganhar todas as brincadeiras, chegar primeiro em todos os lugares e conquistar algo que as outras crianças ainda não conquistaram. Qual é a criança que nunca disse para o coleguinha naquele tom de deboche: “Eu tenho, você não teeeem!” ou “Cheguei primeirooo”.

É tipo isso… É a imaturidade humana, tão recorrente nas nossas atitudes e comportamentos.




Existe em nós uma necessidade de “estar bem” aos olhos dos outros. É a necessidade de se sentir superior. Todos nós temos as nossas luzes e sombras, no entanto usamos o disfarce da “aparente felicidade” como fuga das tantas dores e amarguras que vivemos. Não temos coragem o suficiente para enfrentar os cantos escuros. Eles fazem parte de nós e evitamos a todo custo que eles sejam descobertos por alguém, afinal de contas “todo mundo tem que achar que eu sou perfeito”.

Enfim, a admiração e até mesmo a inveja alheia funcionam como estímulos para essa carência emocional que carregamos nas costas. A sociedade nunca esteve tão permeada por conflitos emocionais, suicídios, depressão e desgastes mentais. As traições nunca estiveram tão presentes e tão escancaradas nas relações como agora.

Precisamos que alguém pense que estamos bem para realmente acreditarmos nessa ilusão. Precisamos cumprir todos os requisitos de felicidade para nos sentirmos aceitos pelo mundo lá fora. Precisamos mostrar ao mundo que “o nosso relacionamento é o melhor de todos”.

Antigamente os casamentos não passavam de acordos entre famílias, o que era péssimo. Atualmente as relações não passam de acordos entre dois “status de solteiro” que adotam o título de “está em um relacionamento sério”. Dessa forma serão bem vistos pelos amigos, pela família e pela sociedade. Isso é tão péssimo quanto…

Raros são os relacionamentos nascidos de um encontro verdadeiro.

Talvez a gente precise parar um pouco de valorizar as opiniões que vem de fora. Afinal de contas, por que somos tão dependentes de aplausos?! Será que estamos prontos para questionar os padrões que criamos há tanto tempo?! Talvez seja hora de parar de repetir esses tais padrões.

Questione-se e compreenda-se. Resolva todas as suas questões emocionais. Dê menos valor às aparências e aprecie um pouco mais as essências. Viva encontros de verdade e esqueça as questões de status e estado civil.

Conclusão: Compartilhe sim sua felicidade, mas de um jeito saudável e despretensioso, para que as suas alegrias não soem como uma patética mendicância de afetos e aplausos.


Deixe sua opinião, conte sua história ou seu desabafo nos comentários abaixo, vou respondê-los com todo carinho, afinal de contas todos nós temos as nossas doçuras e amarguras emocionais <3

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Enfim, eu também sou colunista de outros blogs, dá um pulinho lá para conferir: Que Me Transborde / Superela /  Recalculando a Rota.

Hugo Ribas

Hugo Ribas é pisciano, escritor, leitor e também uma metamorfose ambulante. Criador deste blog e colunista do blog Que Me Transborde, adora se perder em sentimentos escritos e nem sempre consegue se encontrar em suas próprias palavras. Personagens, narrador e pensamentos se fundem num texto só. Nasceu em Jundiaí - SP e mudou-se para São Paulo - SP aos 16 anos, onde se formou em Design Gráfico e cursou teatro pelo Teatro Escola Macunaima. Apresentou peças de Gianfrancesco Guarnieri e Friedrich Dürrenmatt.

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