Às vezes, dar um passo para trás, também é recomeçar

Às vezes, dar um passo para trás, também é recomeçar

Estou transbordando.

Sinto, dia após dia, que cheguei ao meu limite. Cheguei ao último lugar onde poderia chegar: A parede fechada no fim do labirinto. Aquela zona da qual você não tem mais controle e de onde não há como sair a não ser que tu faças o caminho de volta, retorne ao ponto de partida e, então, mesmo que cansado e frustrado, recomece a jornada em busca da saída. Dar alguns passos para trás não é fracasso, independente do que digam. Voltar para onde tu começou é um ato de coragem.

Eu me deparei com muitas dessas paredes, porém sempre tive medo de dar meia volta. Escalava a parede na ilusão de que estava sendo forte ao ultrapassar uma barreira que, até então, parecia-me intransponível. Como estava enganado. Eu não estava sendo forte…

Estava sendo covarde, pois tinha medo de voltar atrás e enxergar onde havia errado… Afinal, depois de escalar a parede, eu estava exausto no topo. Sem forças para descer tão cedo e, ali, estagnado e fraco, permanecia por muito tempo.

Relutei, é verdade. Parei por muitas vezes no topo dessas paredes e fiquei sentado contemplando o horizonte, o lugar onde eu só estaria quando saísse do labirinto. Diferente de Creta, eu não tinha um Minotauro me perseguindo, havia um monstro muito pior no meu encalço: eu mesmo. Uma versão assustadora de mim que estava decidida a me jogar na cara com golpes agressivos todos os meus erros. Era dele que eu fugia. Era por medo dele que eu subia paredes e esperava no topo até ter forças para descer.

Mas, no fim, chega um momento em que precisamos parar de fugir. Há um determinado momento em que o monstro nos alcança e nos encurrala. Não há outra escapatória a não ser enfrentá-lo. Eu sei que agora estou em frente a mais uma parede.

Ao longe posso ver a luz da entrada que peguei para chegar até aqui e sei que, parado e me esperando, estou eu, pronto para escancarar meus erros. Devo enfrentá-lo. Passou – há muito tempo – da hora de refletir sobre mim mesmo.




Estou transbordando, pois estou exausto, triste e com raiva. Estou transbordando por encher demais um copo que eu sabia que não suportaria tanto. As últimas gotas ainda caem, mas está na hora de parar antes que tudo se inunde. É hora de pegar meu sapato que vem machucando meus pés, levantar, aparentemente seguro, e começar a andar pelo caminho de volta. Eu não tenho um fio preso à entrada para me guiar, mas eu estudei muito bem esse caminho. Eu sei como chegar lá.

Ninguém disse que seria uma caminhada fácil. Há muito por vir. Enfim, dar alguns passos para trás, apesar de necessário, sempre é doloroso. Não é fácil, nem eu esperava que fosse. Há muito que se ver, há muito o que pensar. Existem decisões demais a serem tomados, outras a serem refletidas e, muitas vezes, perdoadas. É um caminho longo, não vou negar. Pode durar um bom tempo e posso perder muito enquanto sigo, mas, eu sei, que no fim, vai ser melhor.

Recomeçar é mais do que parar no lugar onde se está e então dar uma nova perspectiva para a caminhada. Nem sempre o lugar onde estamos é o melhor ponto de partida para uma nova vida. Nós – inúmeras vezes – já passamos por ele. Muitas vezes nós estivemos no lugar certo para partir e pegamos um atalho ou apenas um caminho errôneo que, naquele momento, pareceu correto.

Tudo bem. Ainda dá tempo.

Reúna as forças que ainda lhe restam, um passo de cada vez, e comece a andar. Vai ter muito para enfrentar, mas a medida que avançar, o copo vai se esvaziar. Estará cada vez mais vazio e cheio de espaço para preenchê-lo novamente. Com bons fluidos, mas com alguns venenos também. Infelizmente não há fórmula certa para evitar a mistura. Química, nem sempre, foi sobre boas combinações.


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Então se você gostou desse texto do Andrei Santos, deixe seu comentário <3 Enfim, tenho certeza que você vai AMAR esse texto também: Ele perdeu oportunidades.

Eu também sou colunista de outros blogs, dá um pulinho lá para conferir textos ainda mais lindos: Que Me Transborde / Superela /  Recalculando a Rota.

Andrei Santos

Jornalista gaúcho de 26 anos, apaixonado por contar histórias e por tê-las sendo ouvidas por alguém. Um dos últimos românticos que já parou de acreditar algumas vezes, mas que sempre acaba por voltar e perceber que, mesmo que a gente queira, não tem muito o que fazer quando se nasceu para ser feito de amor.

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