hugo ribas sobre deixar ir
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Nem sempre é sobre ficar juntos, às vezes é sobre deixar livre

Falar sobre términos sempre foi difícil para mim. Não que eu tenha vivido muitos relacionamentos, mas os poucos que tive, me fizeram ter um medo danado da palavra em si: Término.

Amar alguém ao ponto de imaginar uma vida inteira com ele e acabar com essa história no meio, é quase como uma dor física.

Sem me prolongar muito, vou falar do meu primeiro término. Foi no primeiro e único relacionamento sério que tive até hoje, em 21 anos. Digo “sério”, porque assumimos nossa relação para o mundo…

Nosso término foi por mensagem de texto. Sim, da pior forma possível. Mesmo tendo superado, até hoje sinto repulsa pelo garoto e pelo que eu deixei que nosso relacionamento se tornasse.

Nós não tínhamos um relacionamento saudável…

Digo isso, porque tudo tinha que ser do jeito dele, como ele queria… E por achar que o amava, eu permitia, eu fazia, eu obedecia. Nós não conversávamos sobre o que cada um gostava ou não. Muitas e muitas vezes escondi meus verdadeiros sentimentos e respondi um “Tudo bem, amor”.

Muitas e muitas vezes, vesti o que não queria, sorri quando queria ficar séria, senti ciúmes que não eram do meu modo, senti tristeza e não saudades. Ao invés de contar os dias para os reencontros eu passei a contar os minutos para aquilo acabar. E mesmo assim, eu jurava para mim mesma que o amava. E que esse era o motivo pelo qual eu suportava tantas e tantas insatisfações.

Nosso relacionamento começou a virar uma bola de neve, daquelas que você sabe que um hora ou outra, vai acabar machucando alguém. E adivinha quem foi ferido? Sim, fui eu. E eu me culpava muito por isso. No dia do nosso teérmino, tudo parecia correr bem… Tínhamos um encontro marcado para o dia seguinte e eu já tinha pensado em tudo para agradar o cara que eu me convencia amar.

No meio da tarde, recebi uma mensagem. Tive que ler aquelas palavras por diversas vezes. Era algo como: “Desculpe, preciso de um tempo”. Sim, tempo, tempo e tempo, foi o que mais me ajudou. E ali eu percebi, que o maior bem que ele me fez, foi terminar comigo. Foi o dolorido e abençoado encerramento do nosso ciclo juntos.

Não restou nada.

Nem amizade, nem carinho, nem ódio, nada, absolutamente nada. Não amá-lo, foi o que fiz de melhor. Eu segui o caminho de ciclos. Jamais continuava um. Ainda não sabia como era sentir aqueles amores avassaladores, desses que são “para sempre”.

Eu procurei, eu juro que procurei, achando que o encontraria na esquina de casa. Até que o encontrei em um par de olhos verdes, em um abraço que me preenchia. Em um menino comum, com coisas comuns, mas com o coração mais bondoso que já conheci. Em um menino que desde o primeiro instante, entrou na minha vida e fez minha perspectiva do amor mudar.

Passei a escrever sobre ele, todos os dias. Ficamos quase um ano e nesse tempo descobri que rótulos são desnecessários. Não éramos namorados, nem ficantes, éramos nós e estava ótimo daquele jeito.

Descobri o poder que uma pessoa tem sobre nós, mas descobri também, o poder que nós temos sobre nós mesmos. Passei a correr do término, porque sabia que isso aconteceria. Eu o amava tanto (eu o amo ainda, confesso). Não sinto vergonha, porque amor é isso: Nem sempre é sobre ficar juntos, às vezes é sobre deixar livre. Não é ser egoísta, é ser feliz com a felicidade do outro. É deixar ir se quiser ir. Nem sempre é sobre o casal “felizes para sempre”. Às vezes é sobre ser felizes separados.

Eu sinto que nosso ciclo não acabou.

Talvez jamais termine. Talvez jamais se encerre. Se você viesse hoje até mim e dissesse para eu te esquecer para sempre, eu tentaria. Se você viesse hoje e gritasse para todos os cantos do mundo que não sente absolutamente nada por mim, eu tentaria te tirar daqui. Mas você não fez isso.

Te amar não fez mal. Te amar me faz descobrir que às vezes é sobre ciclos, que se acabam, que se iniciam, ou que simplesmente tem o tempo certo para continuar. E se isso acontecer com o nosso, tudo bem.

Eu te espero aqui, no mesmo lugar, com o mesmo número de celular, as mesmas páginas cheias de rabiscos e o mesmo baú cheio de erros, mas principalmente, com o mesmo amor que eu te ofereci naquele dia em que beijei tua boca e encostei em teu ombro. Como naquela tarde chuvosa em que corri para te abraçar.

Ali naquele momento, eu segurei o mundo. O mundo que eu amava.


Deixe sua opinião, conte sua história ou seu desabafo nos comentários abaixo, vou respondê-los com todo carinho, afinal de contas todos nós temos as nossas doçuras e amarguras dentro do coração <3

Leia também esse texto, você vai AMAR com certeza: Eu mereço alguém que venha para ficar

Saiba um pouco mais a respeito da Bia Civa clicando aqui.

Enfim, eu também sou colunista de outros blogs! Então, dá um pulinho lá para conferir: Superela /  Recalculando a Rota.

Danúbia Civa, 21 anos, mora em Mato Castelhano/RS. Gosta dos romances mais doces e dos livros mais clichês. Apaixonada por sentir ao extremo, de preferência o amor. Gosta de sonhar, das coisas mais simples e dos perfumes mais marcantes. Uma garota clichê que adora viver, ler e escrever romances.

Um comentário

  • Samantha

    Todos os amores passados (bons ou ruins) são pontes para que você encontre o verdadeiro amor. E esse é o seu amor próprio! Só é possível, se entregar a um relacionamento se estamos de bem com nós mesmos. Pelo jeito, seu ex, não estava de bem com ele, então, já viu, né? Que um dia você encontre um amor que te transborde!! bjs

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