Textos do Hugo

O que eu aprendi com as pessoas que me fizeram sofrer

Decidi escrever esse texto sobre o que eu aprendi com as pessoas que me fizeram sofrer, pois alguns dias atrás eu postei no meu Instagram a seguinte frase: “Só abra a porta da sua vida para visitas que já chegam te iluminando e te fazendo sorrir por dentro”. Quando eu escrevi essa frase, eu me lembrei de todas as vezes que acabei me decepcionando com pessoas que não eram tão “legais” quanto eu imaginava. E então agradeci pelas lições que todas elas tinham me ensinado.

Aprendi que não devo confiar assim logo de cara numa pessoa que ainda não conheço muito bem. Confiança é algo que deve ser construído aos poucos. Observe as atitudes das pessoas, suas palavras e, principalmente: Seus princípios. É impossível saber tudo isso de uma vez só. É preciso muito tempo para conhecer e confiar em alguém de uma forma mais sólida e profunda. Isso vale para amigos, amores e até mesmo familiares.

Pense o seguinte: A sua vida e os seus sentimentos mais íntimos são como um pote cheio de joias e de ouro. Você tem que deixar esse tesouro guardado num cofre. Pouquíssimas pessoas devem ter acesso à senha.

Todo mundo já teve aquele amigo(a) ou namorado(a) vampiro: O que suga a nossa energia.

Basta cinco minutos na presença dessa pessoa para você começar a se sentir cansado e pesado. Essa lição eu aprendi muito rápido e tratei de colocar em prática. É importante que a gente saiba sentir a energia das pessoas… Às vezes alguém se aproxima de você com um sorriso no rosto, te abraça e diz que gosta muito de você, mas a simples presença dela não combina com essa aparência tão “fofa”. Eu já conheci muita gente de palavras doces e atitudes tóxicas. Como diz a famosa frase: “As aparências enganam”. Antes de deixar que alguém entre na sua vida, permita-se sentir a energia, observe como você se sente ao lado dele. A nossa intuição não falha.

Eu aprendi também que, de alguma forma, eu sou responsável pelo mal que determinas pessoas me fizeram. Escancarei as portas da minha vida para elas. Dei a senha do cofre sem verificar se elas eram confiáveis. Isso é mais comum do que você imagina. Às vezes a gente se encanta com uma pessoa de um jeito tão intenso que acaba perdendo todo o discernimento. Tudo bem, não há necessidade nenhuma de se culpar. Nós não somos culpados pelo mal que os outros nos fazem. Em algumas situações nós temos apenas uma parcela de responsabilidade nisso, porque não tomamos os cuidados necessários.

Aprenda a trocar a palavra CULPA por RESPONSABILIDADE.

Além de ser libertador, isso te proporciona saúde mental o suficiente para se curar de tudo o que te adoece por dentro.

E por falar em culpa: Eu aprendi que não devo permitir que as pessoas despejem suas infelicidades nas minhas costas como se eu fosse culpado por tudo. Tem gente que é assim: Vive te dando um banho diário de culpa. Essas pessoas não estão preparadas para qualquer tipo de diálogo. Aliás, elas nem sabem o que significa essa palavra.

Fique perto de pessoas que saibam conversar, que gostem de trocar ideias, que respeitam seu jeito de ser e, principalmente, pessoas que sejam sinceras ao ponto de discordar de você sem te desrespeitar. É muito bom quando alguém te dá um toque do tipo: “Meu, se eu fosse você eu não agiria assim, mas respeito sua decisão.” Uma frase tão simples e sincera como essa pode fazer você refletir sobre outros pontos de vista, mudar suas opiniões e transformar suas atitudes pra melhor.

Aprendi também que as relações humanas são vias de mão dupla. Não dá pra ser 8 ou 80. Nem tudo é responsabilidade minha, assim como nem tudo é responsabilidade do outro. Aprendi a compartilhar essa responsabilidade. Por exemplo: Às vezes uma pessoa que você gosta muito te faz várias promessas… Como não criar expectativas? Isso é praticamente impossível. Ela tem total responsabilidade pelas promessas que fez. E eu sou responsável por ter confiado 100%. E vice versa. Entende?!?!

Ninguém é tão culpado assim. E ninguém é tão vítima assim.

Compreendi que não sou propriedade de ninguém. Algumas pessoas vão me tratar como se eu tivesse que dar satisfação de cada passo que dou, como se eu não tivesse mais o direito de me relacionar com ninguém além delas. Hoje eu prezo muito pela minha liberdade. Compromisso é uma coisa. Prisão é outra.

E para finalizar: Aprendi também que eu, com certeza, já fiz alguém sofrer, ainda que essa não tenha sido a minha intenção. Talvez eu já tenha sido tóxico ou então tenha decepcionado alguém. Talvez, num momento infeliz, eu já tenha derramado uma chuva de culpas numa pessoa que nem era tão culpada assim. Pode ser que eu tenha quebrado a confiança de alguém que gostasse muito de mim.

Enfim, a verdade é que todos nós somos humanos e, portanto, passíveis de erro. O que vai diferenciar uma pessoa da outra é o seguinte: Muitas delas não se importam com ninguém e vão repetir esses comportamentos, sempre levando sofrimento aos outros. Poucas vão reconhecer suas responsabilidades e mudar suas atitudes, procurando ser luz por onde passar.

Que tipo de pessoa você quer ser? Deixe seu comentário me contando se já vivenciou situações assim e me dizendo também o que você achou desse texto.

Hugo Ribas é pisciano, escritor, leitor e também uma metamorfose ambulante. Criador deste blog e colunista do blog Que Me Transborde, adora se perder em sentimentos escritos e nem sempre consegue se encontrar em suas próprias palavras. Personagens, narrador e pensamentos se fundem num texto só. Nasceu em Jundiaí - SP e mudou-se para São Paulo - SP aos 16 anos, onde se formou em Design Gráfico e cursou teatro pelo Teatro Escola Macunaima. Apresentou peças de Gianfrancesco Guarnieri e Friedrich Dürrenmatt.

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